Operação mira grupo com base em Londrina e Cambé suspeito de aplicar golpes milionários com produtos de luxo
Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que organização criminosa atuava havia pelo menos dois anos, movimentava cerca de R$ 40 mil por dia e usava cartões clonados para comprar mercadorias revendidas pela internet
Londrina e Cambé estiveram no centro da Operação Golden Gift, deflagrada nessa quarta-feira (15) pela Polícia Civil de Presidente Prudente (SP). A investigação aponta que o núcleo da organização criminosa funcionava nas duas cidades do norte do Paraná e era responsável por um esquema de fraudes eletrônicas na compra e revenda de artigos de luxo. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão em São Paulo, Londrina e Cambé.
As investigações começaram em abril, depois que uma loja de produtos de luxo de Presidente Prudente registrou prejuízo de mais de R$ 12 mil. Um cliente fez quatro compras pela internet, pagou por um link com cartão de crédito e retirou os produtos por meio de um motoboy. Horas depois, a loja foi avisada de que o cartão havia sido utilizado em uma fraude e a compra foi cancelada.
A partir desse caso, a Polícia Civil de São Paulo descobriu que outras lojas também tinham sido vítimas do mesmo golpe. Em pouco mais de dois meses, os investigadores identificaram dezenas de ocorrências semelhantes em cidades paulistas e em outro estado, chegando aos suspeitos que moravam em Londrina e Cambé.
Segundo a investigação, o grupo comprava dados de cartões de crédito clonados de um hacker e usava essas informações para adquirir bolsas, roupas, calçados, perfumes e outros produtos de grife. Depois, os itens eram anunciados na internet com descontos de até 60%, atraindo compradores pelo preço muito abaixo do mercado.
Para dificultar a identificação, os criminosos utilizavam documentos falsos e contratavam entregadores por aplicativos. As mercadorias passavam por diferentes motoristas até chegarem a Londrina, onde outro entregador fazia a entrega final ao comprador. Todo o esquema, desde a compra fraudulenta até a revenda, era coordenado de forma remota por meio de comunidades em redes sociais.
A Polícia Civil informou que sete pessoas foram presas por suspeita de integrar a organização criminosa. Outros investigados responderão por receptação, por terem adquirido produtos sabendo da origem ilícita. Durante as buscas, os policiais apreenderam centenas de artigos de luxo sem comprovação de origem, além de celulares, computadores e documentos. Contas bancárias dos investigados também foram bloqueadas.
De acordo com a polícia, o grupo atuava havia pelo menos dois anos, movimentava cerca de R$ 40 mil por dia com as fraudes e causou prejuízo superior a R$ 1 milhão por mês às empresas vítimas. As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.