SEGUNDA, 08/03/2021, 19:53

Pesquisa aponta que quase 70% das famílias londrinenses possuem dívidas

De acordo com relatório, é o maior percentual desde início dos registros.

O levantamento realizado a cada três meses pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (NuPEA) apresenta novos dados sobre a situação econômica do londrinense. Na edição mais recente da pesquisa, o número de pessoas que tem parte da renda familiar comprometida chegou a 68,8%. Um crescimento de 0,5% em comparação ao relatório anterior. No entanto, o índice é o maior registrado desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2016. A média histórica para o indicador é de 63%.

De acordo com Marcos Rambalducci, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e coordenador da pesquisa, o aumento de desempregados no país e o fim do auxílio emergencial foram impactantes para que londrinenses não conseguissem mais pagar as dívidas. Ele atribui o crescimento do indicador a esses dois fatores principais.

O levantamento mostra ainda que 38,3% das famílias estão com contas em atraso. O economista explica que os números de Londrina seguem uma tendência nacional, mas que a taxa de inadimplência já ultrapassa os parâmetros gerais.

Ele destaca ainda que, entre os indicadores apresentados, o mais delicado é o percentual que aponta para pessoas que não tem condições de pagar as dívidas, que subiu para 40%.

Rambalducci explica que o endividamento não afeta apenas as famílias que deixam de quitar as dívidas, mas impacta diretamente na economia da região. Além de implicações pessoais, ligadas às pendências, a restrição do acesso ao crédito compromete a geração de empregos, influencia na redução de vendas e, por consequência, enfraquece o comércio varejista.

O levantamento realizado pelo NuPEA aponta ainda que 45% das famílias com renda abaixo dos dez salários mínimos têm dívidas que vão levar mais de um ano para serem quitadas. Por outro lado, o relatório mostra que 100% das famílias acima deste patamar econômico apresentam compromissos financeiros mais duradouros e que extrapolam os 12 meses.

O cartão de crédito continua sendo o grande vilão dos consumidores e é a principal forma de dívida dos londrinenses. No entanto, Rambalducci aponta que o crescimento do uso de carnês em lojas chamou atenção na pesquisa.

Ele explica que os dados podem significar que o mercado varejista vem observando a necessidade de oferecer o próprio sistema de crediário que, até pouco tempo atrás, estava entrando em desuso.

Por Victor Assis

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