Polícia Civil conclui inquérito e indicia jovem por feminicídio e tentativa de estupro contra Thaissa
Investigação aponta indícios de premeditação, reúne imagens de câmeras, depoimentos e laudos; Gabriel de Andrade segue preso preventivamente
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, encontrada morta no estacionamento de uma academia em Londrina, no dia 11 de setembro. Gabriel de Andrade, também de 21 anos, foi indiciado pelos crimes de feminicídio e tentativa de estupro. Segundo a delegada Carla Gomes de Melo, responsável pela Delegacia da Mulher, o feminicídio teve como agravantes o uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com a delegada, a investigação reuniu imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos e imóveis próximos à academia, além de depoimentos e laudos periciais. O local onde Thaissa foi morta não possuía câmeras de segurança. Parte dos exames já foi concluída, enquanto ainda são aguardados laudos relacionados à violência sexual.
A investigação também identificou que Gabriel esteve na academia na terça-feira anterior ao crime. Na ocasião, segundo a polícia, ele teria pedido a Thaissa para conhecer o local, alegando que queria conhecer as dependências do estabelecimento. Na sexta-feira, dia 11, ele retornou à academia usando a mesma justificativa. Para a delegada, os elementos reunidos até agora indicam que o crime pode ter sido planejado.
A polícia também apurou que os objetos encontrados com Gabriel, entre eles uma faca e uma corda, não pertenciam à academia. Segundo Carla Gomes de Melo, a informação levantada durante a investigação é de que ele já teria chegado ao local com os objetos.
Celulares de Gabriel e de Thaissa foram apreendidos e encaminhados ao setor de inteligência da Polícia Civil para extração de dados. A investigação ainda deve analisar as informações armazenadas nos aparelhos, inclusive para verificar possíveis contatos ou outros elementos que possam ajudar a esclarecer a motivação e a preparação do crime.
Sobre um laudo apresentado pela defesa indicando que Gabriel possui transtorno do espectro autista, a delegada afirmou que o documento é de 2017 e que a condição foi confirmada pela médica que o acompanhava na época. Segundo ela, porém, somente uma avaliação médica especializada poderá determinar se, no momento do crime, Gabriel tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos praticados. A delegada também ressaltou que não se pode associar o autismo à prática de crimes.
Durante a investigação, duas mulheres também procuraram a Polícia Civil e relataram terem sido vítimas de uma situação envolvendo Gabriel. Elas apresentaram imagens de câmeras de segurança de uma residência. Um novo inquérito foi instaurado para apurar o caso e verificar se ele é o responsável pelos fatos relatados.
Gabriel permanece preso preventivamente. Após a conclusão do inquérito, o caso será analisado pelo Ministério Público, que poderá apresentar a denúncia à Justiça. Se a acusação for recebida, por se tratar de um crime doloso contra a vida, o processo poderá seguir para julgamento pelo Tribunal do Júri.