SEGUNDA, 21/09/2026, 10:11

Jovem de Londrina perde movimentos durante passeio em montanha-russa do Hopi Hari

Mecanismo de contragolpe da atração causou trauma de crânio na mulher, que ficou quase 2 meses internada na UTI. Ministério Público investiga o caso

Júlia Rímoli Bossoni, de 28 anos, moradora de Londrina, perdeu todos os movimentos do lado esquerdo do corpo após sofrer um traumatismo craniano durante um passeio em uma montanha-russa do Hopi Hari, parque de Vinhedo, interior de São Paulo. O caso foi registrado em abril, mas veio à tona nesse domingo (20), após reportagem do Fantástico, da TV Globo.

A jovem visitou o parque com o marido, João Pedro Bossoni. O rapaz disse que foi com a esposa na atração assim que eles chegaram no parque. Durante o primeiro passeio, nenhum problema foi registrado. No fim do dia, eles resolveram voltar à montanha-russa. Julia desmaiou durante o segundo passeio e foi retirada desacordada do carrinho. Ela também apresentava um quadro de convulsão, de acordo com João Pedro.

A jovem foi socorrida às pressas para a Santa Casa de Vinhedo, onde foi internada na UTI em razão da gravidade do caso. No hospital, ela foi diagnosticada com hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Ela passou por uma cirurgia de emergência e ficou internada por quase dois meses. O neurocirurgião Victor Batistela, também ouvido pelo Fantástico, disse que Julia sofreu um traumatismo cranioencefálico. Um laudo emitido pelo especialista aponta que o traumatismo foi causado pelo mecanismo de contragolpe da montanha-russa.

Em entrevista à reportagem da CBN Campinas, a mãe de Julia, Danielle Rímoli, relembrou os momentos de angústia que a família viveu após o acidente da filha. Ela contou que, por pouco, a jovem não morreu.

Atualmente, Danielle e João Pedro se revezam nos cuidados da jovem, que continua com a parte esquerda do corpo paralisada.

O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que já pediu uma perícia na montanha-russa. A família de Júlia também entrou na Justiça pedindo que as circunstâncias do acidente sejam esclarecidas. Em nota enviada ao Fantástico, o Hopi Hari informou que, depois do ocorrido, Julia recebeu atendimento seguindo todos os protocolos de segurança e que a internação da jovem foi acompanhada e custeada pelo parque. A administração garantiu que a montanha-russa possui certificação internacional e que as inspeções no brinquedo são feitas anualmente. Ainda conforme a nota, placas e avisos sonoros alertam que a atração é radical e não indicada a "pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas". O parque citou ainda, no comunicado, um parecer do Ministério Público, de agosto deste ano, que descarta o risco coletivo da montanha-russa. Por fim, o Hopi Hari garantiu que o corpo jurídico manteve contato com os familiares da visitante depois do acidente e que a direção do parque segue à disposição.

Por Guilherme Batista

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