TERCA, 04/08/2026, 18:08

Polícia Civil divide apuração de perseguição que terminou na morte de adolescente em Londrina

Investigações vão apurar de forma separada a conduta do pai da vítima e a ação da Guarda Municipal; caso da morte do jovem de 15 anos pode ir a júri popular

A Polícia Civil decidiu dividir em dois inquéritos a investigação sobre a perseguição policial que resultou na morte do adolescente Murilo Dias, de 15 anos, na última sexta-feira (31), em Londrina. Um dos processos vai focar exclusivamente na conduta do pai do jovem, Volmir Dias, enquanto o outro apurará a abordagem e os disparos feitos pela Guarda Municipal (GM). A apuração sobre a morte do garoto foi encaminhada para a Delegacia de Homicídios e, por envolver perda de vida, pode ser levada a júri popular. O delegado responsável terá cerca de 30 dias para ouvir as testemunhas e reunir provas.
Toda a confusão começou após uma discussão familiar em um estabelecimento comercial, em que o pai do adolescente admitiu ter feito um disparo de arma de fogo para o alto antes de fugir em uma picape. Alertada por pessoas que estavam no local, a GM iniciou a perseguição. Durante a tentativa de fuga, o homem desobedeceu à ordem de parada, colidiu contra outros veículos e atropelou um motociclista, parando apenas ao bater contra um poste na Rua da Lapa, nas proximidades do Ginásio Moringão.
No momento da abordagem final, as versões apresentadas sobre a tragédia se divergem. De acordo com o registro da GM, o adolescente teria pegado a arma do pai, momento em que os agentes atiraram, atingindo fatalmente o jovem. No entanto, em depoimento prestado à Polícia Civil, o pai negou que o filho estivesse armado e afirmou que a arma havia caído no assoalho do veículo durante a fuga. Segundo a versão do pai, o adolescente não segurava nenhum revólver e teria sofrido uma crise de epilepsia dentro do carro enquanto os guardas se aproximavam. Ele declarou ainda que não viu o momento em que os agentes atiraram contra o veículo e atingiram seu filho.
A defesa da família do adolescente solicitou com urgência à Justiça que determine a entrega imediata das imagens de segurança. A advogada pede o recolhimento e a perícia de possíveis gravações feitas pelas câmeras corporais acopladas às fardas dos guardas ou instaladas nas viaturas que participaram da ação.

Por João Gabriel Rodrigues

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