Tribunal de Justiça torna réus por homicídio policiais acusados de matar adolescente em Londrina
Davi dos Santos, de 15 anos, foi morto durante abordagem na Vila Recreio, em junho de 2022. Advogado da família do adolescente diz que ele foi executado
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) emitiu uma nova decisão em relação ao caso do adolescente Davi Gregório Ferraz dos Santos, de 15 anos, morto durante uma abordagem policial em uma casa na Vila Recreio, na área central de Londrina, em junho de 2022. A 1ª Câmara Criminal do TJ-PR reformou uma decisão da 1ª Vara Criminal de Londrina, que havia rejeitado a denúncia do Ministério Público (MP), e determinou que os três policiais militares responsáveis pela abordagem passem a ser réus por homicídio duplamente qualificado. As informações são do advogado da família do adolescente, Marcus Vinícius Marques.
O advogado explicou que a decisão judicial é o desfecho esperado pela família de Davi, que, há quatro anos, tenta, na Justiça, que o caso seja devidamente apurado. Ele lembrou que, ao longo desse período, dois promotores foram afastados do processo em razão de uma suposta parcialidade a favor dos policiais. A Procuradoria de Justiça do MP, em Curitiba, inclusive, conforme Marques, também precisou agir para garantir que os policiais fossem denunciados depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) desarquivar o inquérito, em janeiro do ano passado.
Na época do crime, a polícia divulgou que o adolescente foi baleado e morto após usar uma arma para reagir à abordagem das equipes, que checavam uma denúncia de tráfico de drogas. A arma supostamente usada pelo menor chegou a ser apresentada pelos policiais, mas a família dele sempre contestou essa informação, destacando que ele apresentava diversos ferimentos nas mãos e que a arma apresentada não tinha manchas de sangue. Sem revelar detalhes, uma vez que o caso corre em segredo de Justiça, o advogado da família de Davi disse que o adolescente foi executado pela polícia.
A CBN também tentou contato com a defesa dos policiais, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.