QUINTA, 03/09/2026, 17:11

Polícia Civil investiga possíveis fraudes em contratos e concessão ilegal de benefícios a detentos no PR

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e R$ 87,5 mil em dinheiro

O Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Polícia Civil (PCPR) deflagraram nesta quinta-feira (3), em Londrina, a Operação Profundidade, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais penais e empresários. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra oito agentes públicos, incluindo um ex-diretor-geral do Departamento de Polícia Penal e um ex-chefe de Inteligência, além de seis empresários e a esposa de um dos investigados.

Segundo o delegado da Polícia Civil, Bruno Sentone, a investigação começou após uma denúncia anônima e identificou indícios de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Os investigadores apuram duas frentes principais: possíveis irregularidades no Conselho da Comunidade de Londrina e na concessão de benefícios a pessoas privadas de liberdade. A polícia, porém, ainda não confirma quais presos teriam sido beneficiados nem detalha a participação individual de cada investigado.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e R$ 87,5 mil em dinheiro. A origem dos valores também será investigada. De acordo com a apuração, alguns dos agentes públicos apresentavam movimentações financeiras e patrimônio incompatíveis com os rendimentos declarados.

Um policial penal foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ele pagou fiança e responderá ao inquérito em liberdade.

O corregedor-geral da Polícia Penal do Paraná, Deivid Alessandro Inácio Duarte, afirmou que a corporação vai colaborar com a investigação da Polícia Civil e, depois, poderá abrir procedimentos administrativos.

Por enquanto, não há determinação para afastar os policiais investigados. Segundo ele, uma eventual punição poderá chegar à exclusão do servidor da corporação, caso sejam comprovadas irregularidades.

As investigações também apontam suspeitas de fraudes em contratos do Conselho da Comunidade de Londrina. Empresas teriam simulado concorrência para favorecer determinados fornecedores e, em troca, realizado pagamentos aos investigados. Parte dos valores teria sido dividida em pequenos depósitos para dificultar o rastreamento do dinheiro. A análise dos materiais apreendidos deve definir os próximos passos da investigação.

Por João Gabriel Rodrigues

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