QUINTA, 03/09/2026, 12:25

Policiais penais acusados de cobrar propina de presos e direcionar contratos são alvos de operação do Ministério Público

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra empresários e servidores que chegaram a fazer parte da diretoria do Departamento de Polícia Penal na região

O Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), do Ministério Público, e a Divisão Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), da Polícia Civil, cumpriram, nesta quinta-feira (3), quinze mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Profundidade, que investiga a existência de um esquema criminoso envolvendo servidores públicos, ligados ao Departamento de Polícia Penal (Deppen) e empresários do chamado Conselho da Comunidade de Londrina.

Os mandados foram cumpridos contra oito policiais penais que ocupam posições de destaque na estrutura do sistema prisional, incluindo um ex-diretor-geral e o atual chefe de Inteligência do Deppen, e contra o presidente do Conselho da Comunidade. Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em espécie. Desse total, R$ 45 mil foram encontrados na residência de um dos alvos, R$ 24,5 mil na casa de outro e R$ 18 mil na residência de um terceiro. Também houve uma prisão em flagrante por porte de arma de fogo. As informações são do promotor do Gepatria, Renato de Lima Castro.

As investigações apontam que o grupo atuava fazendo a cobrança de propina de presos em troca da concessão indevida de benefícios e também direcionando, de forma fraudulenta, contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade. De acordo com as investigações, empresas pertencentes a três núcleos diferentes teriam sido utilizadas para simular concorrência e viabilizar o direcionamento dos contratos. Parte dos valores teria sido depositada de forma fracionada, em diferentes operações, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos e burlar mecanismos de controle.

O caso começou a ser investigado após o recebimento de denúncias anônimas e a partir da análise de dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal. Ficou comprovado que os policiais penais teriam movimentado valores milionários incompatíveis com a renda deles. Eles também teriam recebido repasses injustificados de outros investigados e de empresas fornecedoras.

Por Guilherme Batista

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