SEGUNDA, 12/02/2018, 18:20

Policial militar envolvido em morte de adolescente na zona sul é interrogado

Crime aconteceu em frente a colégio estadual do conjunto Cafezal. Defesa afirma que disparo foi acidental.

O policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, na corporação há seis anos e atualmente trabalhando no setor administrativo da 4ª Companhia Independente, foi interrogado na semana passada na 1ª Vara Criminal de Londrina pela morte do adolescente Gabriel Sartori, de 17 anos, em junho do ano passado, no conjunto Cafezal, zona sul da cidade. A vítima foi morta em frente ao Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera. Segundo as investigações, o PM atirou no chão depois de não conseguir abordar o menor e mais dois amigos dele que tentavam pular o muro da escola.

O disparo ricocheteou na calçada e atingiu o peito de Gabriel, que morreu minutos depois. Durante o interrogatório, Zangirolami esclareceu que havia saído da casa onde morava com a esposa nos fundos do colégio para fazer uma ronda. Ele estava acompanhado de um cachorro. Enquanto patrulhava a região à paisana, o animal teria puxado a coleira e latido contra três garotos que estavam rente ao muro.

O policial informou à juíza Elisabeth Kather que deu voz de abordagem, mas a ordem não teria sido cumprida. Alegando legítima defesa, ele sacou a arma para impedir que o trio o agredisse ou tomasse a pistola. Foi neste momento que o tiro fatal foi efetuado. Mesmo com a chegada de socorristas do Siate, o adolescente não resistiu.

O advogado Eduardo Mileo, que defende Zangirolami, lamentou o episódio, mas afirmou que o policial agiu bem. Ele assegurou que as chances do projétil ricochetear no solo eram mínimas.

Um dia depois do crime, amigos do menor estamparam cartazes e mensagens de saudade em frente ao colégio. O soldado chegou a ser preso em flagrante, mas, ao ser ouvido pelo delegado de plantão, foi liberado. Dias depois, ele foi denunciado pelo promotor Ricardo Domingues por homicídio de dolo eventual. O Ministério Público vislumbrou que ao atirar, o acusado trouxe para si a responsabilidade de matar alguém.

Hoje, ele responde o processo em liberdade. A defesa garantiu que insistir na tese de que o policial disparou para se defender.

A Justiça ainda aguarda os depoimentos de dois policiais militares que dão aulas de técnicas de abordagem na Escola de Formação de Oficiais da corporação.

Bruno Carnelos Zangirolami não trabalha mais nas ruas por determinação da Justiça. Ele também teve o porte de arma restringido. Eduardo Mileo explicou porque ainda não contestou a decisão em primeira instância.

A mãe do adolescente morto, Cristiane Sartori, disse que só pretende gravar entrevista depois que todos as testemunhas de acusação e defesa forem ouvidas.

Por Marta Ortega

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