SEGUNDA, 04/10/2021, 19:08

Uma parceria de longa data com o agronegócio

Na segunda reportagem da série sobre os 50 anos da UEL, vamos mostrar o papel da universidade na recuperação da economia local após a geada negra e os novos caminhos que a instituição trilha com as tecnologias aplicadas ao agronegócio.

Das primeiras aulas dos cursos de agronomia e medicina veterinária, há quase 45 anos, lá em 1977, muita coisa mudou. A economia agro, que ainda nem tinha esse nome e que até dois anos antes era baseada apenas no café aqui na região, vivia o pós geada negra e tentava se reestabelecer, se reprogramar e buscar novos caminhos.

Um início de muitas dificuldades, sem laboratórios e ainda com uma estrutura precária, bem diferente do que existe hoje, afirma o professor do Departamento de Agronomia, do Centro de Ciências Agrárias da UEL, Maurício Ursi Ventura. Docente da universidade há 33 anos, Ursi viu o curso crescer e se tornar referência nacional, apesar de ainda enfrentar algumas dificuldades, ele diz.

Atualmente, o professor também coordena o núcleo da UEL do "Paraná Mais Orgânicos", que capacita agricultores familiares, assentados e indígenas para a produção orgânica. Nascido em Jaguapitã, ele conta que viu a decadência da cultura do café pelas ruas da pequena cidade e destaca o papel fundamental que a Universidade teve na diversificação da produção rural da região no pós-geada negra, principalmente ao olhar para o pequeno agricultor.

Hoje, Ursi coordena uma série de projetos de pesquisa e extensão na busca de soluções sustentáveis para a agricultura. Alguns dos produtos desenvolvidos pelo professor e outros pesquisadores do departamento estão inclusive na fase de transferência de tecnologia para a iniciativa privada.

Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná e doutor em Ciências Biológicas também pela UFPR, o professor destaca a vocação da região para as novas tecnologias aplicadas ao agro e o papel que a UEL teve nisso, com a formação de milhares de profissionais ao longo desses 50 anos.

Formado em agronomia pela Esalq da Universidade de São Paulo, o ex-secretário estadual de Agricultura e atual diretor de Inovação da Sociedade Rural do Paraná, George Hiraiwa, diz que a fundação da UEL foi fundamental, um divisor de águas para o desenvolvimento da cidade como um polo nacional do agronegócio.

O diretor da Sociedade Rural diz ainda que o ecossistema de inovação do agro em Londrina tem no Centro de Pesquisa Aplicado de Inteligência Artificial, liderado pela UEL em conjunto com a entidade e outras instituições, o principal espaço para conectar agricultores, startups, empresas e cooperativas.

Especialista em tecnologia do agronegócio, Hiraiwa também faz parte do Cocriagro, Hub de inovação para o setor, mais uma parceria da Rural com a UEL, e que deve ser outro grande indutor do uso de novas soluções para o agro.

Os 50 anos de fundação da UEL serão comemorados na próxima quinta-feira, 7 de outubro.

Por Marcos Garrido

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