MP denuncia três investigados por esquema milionário do jogo do bicho e lavagem de dinheiro em Arapongas
Organização controlava ao menos 257 pontos de apostas, movimentava milhões por ano e utilizava empresas de fachada, imóveis, aeronaves e criptomoedas para ocultar patrimônio
O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Núcleo de Londrina do Gaeco, denunciou três pessoas investigadas na Operação Diarquia pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro praticada de forma reiterada. A investigação apura um esquema de exploração do jogo do bicho em Arapongas que, segundo o órgão, gerava lucro líquido anual estimado em R$ 8 milhões.
De acordo com o promotor do MP, Leandro Antunes, as apurações são um desdobramento da operação deflagrada em dezembro de 2025, quando foram cumpridos mandados de busca em Arapongas e Florianópolis (SC).
A análise de aparelhos eletrônicos apreendidos revelou a existência de um sócio oculto que exercia o comando financeiro da organização. Conforme o Gaeco, a chamada “Banca União” administrava pelo menos 257 pontos de apostas e possuía um sistema de “plantões”, no qual os líderes se revezavam mensalmente na gestão do negócio e na divisão dos lucros.
Para ocultar a origem dos recursos, o grupo utilizava uma estrutura considerada sofisticada de lavagem de dinheiro. Entre os mecanismos identificados estão empresas de fachada, subfaturamento de imóveis, uso de familiares como “laranjas” e conversão de valores em criptomoedas armazenadas em carteiras físicas. O MP também sustenta que o esquema contava com uma rede de proteção viabilizada pelo pagamento sistemático de propinas a agentes públicos.
Na denúncia, o Ministério Público pede, além da condenação dos investigados, a proibição do exercício de cargos públicos e da administração de empresas, indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e o perdimento definitivo do patrimônio bloqueado.
Em nota encaminhada à reportagem da Rádio CBN Londrina, o advogado Rodrigo Antunes, que representa a família, afirmou que 'a denúncia não condiz com a realidade, tendo em vista que não houve qualquer prática de ato ilícito, o que será demonstrado no processo em caso de prosseguimento da ação penal'."