QUINTA, 14/10/2021, 17:30

Cartórios registram mais de 700 órfãos paranaenses da Covid com até seis anos de idade

Levantamento revelou ainda que 13 pais faleceram antes do nascimento de seus filhos e oito crianças, com até seis anos, perderam o pai e a mãe vítimas da doença.

Os dados levantados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, a Arpen, mostram que, pelo menos, 753 crianças paranaenses com até seis anos ficaram órfãos de um dos genitores vítimas da Covid-19, entre 16 de março de 2020 e 24 de setembro deste ano. Os números foram reunidos com base no cruzamento entre os CPFs dos pais nos registros de nascimentos e de óbitos feitos nos 525 Cartórios de Registro Civil do estado desde 2015.

Os dados da Associação mostram ainda outras situações dramáticas, como a de 13 pais que faleceram antes do nascimento de seus filhos e oito crianças, com até seis anos, que perderam o pai e a mãe vítimas da Covid-19.

No Brasil, no mesmo período, mais de 12 mil crianças com até seis anos ficaram órfãs de um dos pais por conta da doença. Segundo os dados levantados pela Arpen, mais de 25% das crianças que perderam um dos pais na pandemia não tinham completado um ano de idade. Entre os estados, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná foram os que mais registraram óbitos de pais com filhos nesta faixa etária.

O diretor do Instituto de Registro Civil das Pessoas Naturais do Paraná, Bruno Medeiros, avalia que os números levantados pelos cartórios são fundamentais para que se tenha a dimensão do tamanho dos problemas gerados pela pandemia e, com isso, possam ser definidas políticas públicas para enfrentar a questão.

Os dados de nascimentos, casamentos e óbitos estão disponíveis no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados abastecida em tempo real pelos Cartórios de Registro Civil do País. O Instituto do Registro Civil das Pessoas Naturais do Paraná reúne 519 cartórios distribuídos por todos os municípios do estado.

Por Marcos Garrido

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