TERCA, 01/09/2026, 15:01

CMDCA cobra apuração rigorosa sobre morte de adolescente em ação da Guarda de Londrina

Conselho manifesta pesar pela morte de Murilo Dias, de 15 anos, e pede responsabilização caso sejam identificadas irregularidades; Corregedoria diz que aguarda conclusão de sindicância

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Londrina (CMDCA) pediu uma apuração rigorosa e transparente sobre a morte do adolescente Murilo Dias, de 15 anos, durante uma ação da Guarda Municipal, em 31 de julho. Em manifestação divulgada nesta segunda-feira (31), o conselho lamentou a morte e afirmou que eventuais agentes que tenham agido em desacordo com a legislação e com os direitos de crianças e adolescentes devem ser responsabilizados.

O CMDCA destacou que crianças e adolescentes têm direito à proteção integral e que ações de segurança pública devem respeitar a lei, além de seguir critérios como necessidade e proporcionalidade no uso da força. O conselho também manifestou preocupação com a exposição de adolescentes à violência armada e ao uso da força por agentes públicos. A entidade prestou solidariedade à família, aos amigos e à comunidade escolar de Murilo.

A Corregedoria-Geral do Município informou que acompanha o caso e que, para garantir uma investigação isenta, só deve se manifestar depois da conclusão da sindicância interna. O procedimento tem prazo de 100 dias úteis, contado a partir de 4 de agosto, para ser concluído, podendo ser prorrogado mediante justificativa. Segundo a Corregedoria, ainda não é possível prever quando a apuração será encerrada, já que o prazo depende das diligências e de outras medidas necessárias para esclarecer os fatos.

A ocorrência começou na noite de 31 de julho, na região central de Londrina. Segundo as informações divulgadas após o caso, o pai de Murilo, Volmir Dias, teria feito disparos para o alto depois de uma discussão em um estabelecimento. A Guarda Municipal foi acionada e passou a acompanhar a Fiat Toro ocupada pelo homem e pelo adolescente.

A perseguição terminou na Rua Gomes Carneiro, perto do Moringão, depois que a caminhonete bateu em outros veículos e em um poste. Murilo estava no banco do passageiro. De acordo com a versão apresentada pela Guarda Municipal, o adolescente teria feito um movimento para sacar uma arma, o que levou um dos agentes a atirar. Murilo foi atingido, recebeu atendimento, mas morreu.

A família contesta essa versão. Em depoimento à Polícia Civil, Volmir afirmou que a arma no veículo era sua e que foi ele quem atirou para o alto, negando que o filho estivesse armado ou tivesse reagido. Segundo o pai, Murilo sofreu uma crise de epilepsia dentro do carro durante a aproximação dos agentes, e ele não viu o momento exato em que os guardas dispararam contra o veículo e atingiram o adolescente.

Por João Gabriel Rodrigues

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