SEGUNDA, 17/08/2026, 17:17

Com 31 lojas fechadas, Rua Sergipe exige união e foco em serviços rápidos para reativar comércio

Levantamento mostra alta rotatividade de negócios no tradicional corredor comercial de Londrina; estacionamento, reformas nos imóveis e definição do perfil dos negócios são pontos importantes para recuperar o movimento da via

A Rua Sergipe, uma das principais e mais tradicionais áreas comerciais de Londrina, tem potencial para recuperar o movimento que já teve no passado, mas precisa de ações coordenadas entre empresários, proprietários de imóveis e poder público. A avaliação é de Guto Trindade, CEO da Urbanix, empresa especializada em inteligência territorial. Um levantamento realizado pela companhia identificou 31 lojas fechadas atualmente na via.

Segundo Trindade, o problema não está na falta de público. Em um raio de 500 metros da Rua Sergipe, vivem quase 12 mil pessoas, distribuídas em cerca de 4,7 mil domicílios. Considerando uma área de 250 metros ao redor do corredor comercial, são 4.533 moradores e 1.910 empresas com CNPJs ativos. O que diferencia a Sergipe de regiões mais novas da cidade, como a Gleba Palhano, é principalmente o perfil do público, a renda e a rotatividade dos negócios.

Na área próxima à Avenida Ayrton Senna, por exemplo, são 2.264 moradores e 1.625 empresas. A renda domiciliar média estimada chega a R$ 22.718, enquanto no entorno da Sergipe é de R$ 13.452. A rotatividade histórica dos negócios também é maior na Rua Sergipe: 60,7%, contra 38,3% na região da Ayrton Senna. Outros corredores tradicionais do Centro apresentam índices semelhantes, como o Calçadão da Avenida Paraná, com 64,9%, e a Rua Benjamin Constant, com 62%.

Para Guto Trindade, boa parte do público que passa pela Sergipe está com pressa e procura serviços e produtos que possam ser consumidos rapidamente. Em alguns pontos, o tempo esperado de atendimento pode variar de três a 12 minutos.
Para Trindade, o empresário precisa entender quem é o público que circula em frente ao estabelecimento e adequar o negócio a esse perfil. Ou seja, não basta apenas ocupar uma loja vazia: é necessário criar um conjunto de atividades comerciais que faça sentido para cada trecho da rua e incentive o consumidor a retornar.
Outro problema apontado pelo levantamento é a falta de estacionamento. Para o CEO da Urbanix, a solução passa pela criação de estacionamentos verticais, como edifícios-garagem, já que o Centro não dispõe de grandes áreas livres para a implantação de estacionamentos convencionais.
Trindade também defende a recuperação e modernização dos imóveis, processo conhecido como retrofit. A proposta é adaptar prédios e lojas às necessidades atuais, melhorar a estrutura e criar condições para que novos negócios sejam instalados. Na avaliação dele, porém, os preços dos imóveis e dos aluguéis na Rua Sergipe não são o principal problema.
A revitalização também passa, segundo Trindade, pela ampliação do uso da rua para além do horário comercial. Ele cita o potencial da cultura e a reabertura de equipamentos culturais como oportunidades para aumentar o movimento no Centro. Para ele, é necessário discutir os horários de funcionamento desses espaços e criar condições para que a população permaneça na região também fora do período tradicional de compras.

Por João Gabriel Rodrigues

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