Combate à dengue deve ser diário e ganha reforço contra impacto do El Niño no Paraná
Em entrevista à rádio CBN Londrina, o secretário estadual de Saúde, César Neves, alertou sobre o risco do fenômeno climático aumentar os casos da doença e destacou novas tecnologias e a conscientização da população como principais armas
O combate à dengue no Paraná não se limita mais aos meses de calor e precisa ser uma tarefa diária. O alerta foi feito pelo secretário de Estado da Saúde, o médico César Neves, em entrevista concedida à rádio CBN Londrina. Segundo o secretário, o mosquito Aedes aegypti se adaptou às baixas temperaturas e continua circulando durante todo o ano, o que exige planejamento contínuo e atenção constante das autoridades e dos cidadãos.
A preocupação atual da Secretaria de Saúde aumenta com a previsão de que o Paraná enfrente o fenômeno El Niño mais intenso de sua história. Um estudo interno revelou que, em anos anteriores com forte impacto do fenômeno, como em 2014, 2016, 2019 e 2024, houve um salto expressivo nos registros de dengue. Como os efeitos do El Niño devem ser sentidos até o final de dezembro, o governo estadual já prepara ações preventivas adicionais.
Em relação à vacina contra a dengue, o secretário explicou que o imunizante passa por aprimoramentos no Instituto Butantan, ressaltando que vacinas são ferramentas importantes, mas não resolvem os problemas sozinhas. A participação popular continua sendo fundamental. Eliminar recipientes que acumulam água parada, como vasos de flores, piscinas sem tratamento e cisternas abertas, segue como a medida mais simples e eficiente para conter o avanço do mosquito.
Como inovação, o Paraná se tornou o primeiro estado a aderir, em parceria com o Ministério da Saúde, às usinas da bactéria Wolbachia. A tecnologia consiste em liberar mosquitos modificados incapazes de transmitir a dengue. Unidades já foram instaladas em Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Curitiba. A iniciativa é baseada em uma experiência bem-sucedida no Rio de Janeiro, onde a aplicação do método reduziu os casos da doença em 80% após alguns anos.
Por fim, César Neves garantiu que o estado manterá o apoio aos municípios com investimentos contínuos, incluindo o uso do tradicional "fumacê". O secretário também reforçou a orientação à rede médica para que trate casos suspeitos de forma imediata, sem aguardar o resultado de exames laboratoriais, destacando que ações simples, como a hidratação precoce logo no primeiro atendimento, são decisivas para salvar vidas.