Paraná e Paraguai preparam blindagem nas fronteiras contra nova onda de sarampo
Para conter o avanço do vírus já confirmado no país vizinho, o secretário César Neves revelou à Rádio CBN Londrina que o estado estuda uma carteira de vacina única na região
A confirmação de casos de sarampo no estado de São Paulo acendeu o sinal de alerta na saúde pública do Paraná. Em entrevista concedida à Rádio CBN Londrina, o secretário de Estado da Saúde do Paraná, o médico César Neves, expressou preocupação com a possível chegada do vírus ao território paranaense e reforçou que a principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, disponível gratuitamente nas unidades de saúde.
Segundo o secretário, o risco iminente motivou uma reunião de emergência entre o Governo do Estado, o Ministério da Saúde, o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para traçar ações de contenção. O continente americano chegou a ser considerado livre do sarampo em 2016, mas a doença voltou a circular no ano seguinte devido à queda nas taxas de imunização. No Paraná, essa baixa cobertura provocou um forte surto em 2019, somando mais de dois mil casos.
Para evitar que a história se repita, a estratégia estadual prioriza o incentivo contínuo à vacinação e o treinamento das equipes de saúde. César Neves destacou que os médicos precisam estar atentos aos primeiros sinais da doença, como febre, manchas vermelhas no corpo e conjuntivite. A notificação rápida desses sintomas permite que os agentes de saúde identifiquem com rapidez os contatos do paciente e apliquem as medidas de bloqueio antes que o vírus se espalhe.
Outra frente de combate é a cooperação internacional na região de Foz do Iguaçu. O Paraná e o Ministério da Saúde negociam com o governo do Paraguai a criação de uma carteira de vacinação padronizada e a realização de campanhas simultâneas nas cidades vizinhas, garantindo a proteção de quem circula pela fronteira. Apesar do convite, a Argentina optou por não aderir ao acordo até o momento.
Por fim, o secretário ressaltou a necessidade de reforçar a vacinação em portos e aeroportos do Paraná. A circulação intensa de turistas em eventos internacionais e o registro de surtos ativos de sarampo em outros países, como os Estados Unidos, exigem atenção dobrada no controle de entrada de passageiros para proteger a população paranaense.