QUINTA, 13/08/2026, 19:08

Prédio de 18 andares divide moradores e Ministério Público em bairro residencial

Vizinhos temem perda de qualidade de vida e trânsito intenso, enquanto Promotoria avisa que só pode agir se laudos técnicos comprovarem irregularidades na obra

A construção de um prédio residencial de 18 andares e 68 apartamentos tem tirado a tranquilidade de quem mora no Vale dos Tucanos, em Londrina. O empreendimento, planejado para um terreno de 1.700 metros quadrados, preocupa as famílias locais devido ao impacto que deve causar na rotina, na mobilidade e no bem-estar de toda a vizinhança.

Representando a comunidade, a professora aposentada Maria Cecília Loures deu voz ao sentimento de indignação que toma conta dos moradores. Segundo ela, a autorização dada pela prefeitura para que a entrada e saída de veículos do novo condomínio seja feita por uma rua pequena e estritamente residencial vai sobrecarregar o trânsito, que já é complicado no dia a dia. A aposentada crítica a falta de cuidado do poder público com a segurança de pedestres e ciclistas e reforça que a prioridade deveria ser o transporte de qualidade, não o fluxo intenso de carros.
Maria Cecília também alerta para a perda de privacidade e o bloqueio do sol nas casas vizinhas. Ela relata que diversos moradores investiram em painéis solares para gerar energia limpa e, agora, serão prejudicados pela sombra do prédio. Para a aposentada, o adensamento populacional autorizado no local atende mais aos interesses do mercado imobiliário do que à população, ferindo o direito dos cidadãos que escolheram morar em um bairro aberto. Com medo de que a obra avance sem controle, a comunidade recorreu ao Ministério Público pedindo ajuda urgente para paralisar o projeto.
Por outro lado, o Ministério Público esclarece que o processo exige rigor técnico antes de qualquer decisão drástica. A promotora de Justiça Revia Peixoto, titular da Promotoria do Meio Ambiente e do Urbanismo, explicou que não é possível pedir a paralisação da obra, como querem os moradores, sem provas concretas de irregularidades. Ela ressalta que o órgão atua na área jurídica e não conta com equipe técnica própria para fazer vistorias de campo imediatas.
A promotora lembra que a lei permite a construção de edifícios na região, desde que as normas da cidade sejam respeitadas. Por isso, a Promotoria solicitou laudos detalhados a órgãos da prefeitura, como a Secretaria do Meio Ambiente e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano.
Revia Peixoto enfatiza que a atuação do Ministério Público se restringe aos direitos coletivos, nos casos em que danos ambientais ou urbanísticos ficam comprovados por laudos. Detalhes operacionais e administrativos da construção como o número de vagas de garagem e o cumprimento do alvará são de responsabilidade direta da fiscalização da prefeitura. Caso a vistoria oficial confirme alguma falha grave, o Ministério Público tomará as medidas judiciais cabíveis, garantindo a análise correta dentro da lei.
A Secretaria do Meio Ambiente tem até 15 de agosto para entregar os documentos sobre as licenças da obra e esclarecer denúncias recentes, como a suspeita de que uma perfuração no terreno teria atingido o lençol freático.

Por João Gabriel Rodrigues

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