QUINTA, 11/07/2019, 14:43

Laudos comprovam que cachorro que teria sido vítima de maus-tratos morreu em decorrência de um traumatismo craniano

Exames foram anexados a processo que investiga empresário pela morte deste e de um outro animal. Caso foi transferido do Juizado Especial para a Justiça Criminal de Londrina.

A CBN teve acesso à íntegra de uma investigação iniciada no mês passado para investigar um empresário pela morte de dois cachorros. O caso foi repassado à Polícia Civil, que, nas últimas semanas, ouviu o acusado e também diversas testemunhas, entre elas protetores de animais que acompanham a situação desde o início e as veterinárias que trataram os animais supostamente vítimas de maus-tratos.

As mortes, conforme a polícia, teriam acontecido nos dias 24 de maio e cinco de junho deste ano. Na primeira ocorrência, a vítima teria sido uma cadela de nome Akira. Em depoimento, o acusado alegou que o animal morreu durante o banho, e que não teve nada a ver com a situação. Por outro lado, funcionárias da clínica veterinária responsável por atender a cachorra disseram, em depoimento, que o suspeito teria confessado ter matado a cadela. A polícia chegou a pedir exames de necropsia, mas, como o animal foi cremado antes de o caso vir à tona, os laudos não foram realizados.

Já em relação à segunda morte, de um cachorro chamado Haka, o Conselho Regional de Medicina Veterinária conseguiu autorizar o exame de necropsia, que, anexado ao processo, revela que o animal teria morrido em decorrência de um traumatismo craniano. O laudo aponta, ainda, que o cachorro estava sem alguns dentes e com diversas lesões pelo corpo, além de pontos de sangramento na boca e o nariz, e os olhos vermelhos.

As funcionárias da clínica veterinária que também atendeu Haka afirmam que, na semana que antecedeu a sua morte, o cachorro foi levado pelo dono com a pata quebrada. O animal teria chegado a passar por uma cirurgia. Em depoimento à polícia, o suspeito alega que nunca bateu no cachorro, e que ele morreu depois de passar mal.

Mas, para Adriana Santos, uma das protetoras que denunciaram o caso, os laudos deixam claro que Haka foi espancado até a morte.

Depois de concluir o inquérito, o caso foi repassado para o Juizado Especial de Londrina, que, por sua vez, alegou não ter competência e o transferiu para a Justiça Criminal. A primeira audiência do caso, que estava marcada para esta sexta-feira, foi cancelada por conta disso. A defesa do empresário pediu para que o caso fosse tratado com sigilo, mas a solicitação foi negada pela Justiça. A CBN procurou o advogado Arthur Gatti, que defende o suspeito, mas ele preferiu não gravar entrevistas. Por telefone, disse apenas que o seu cliente é inocente, e que isso ficará provado ao longo do processo.

A protetora reconhece que, por conta de a pena máxima ser muito branda, é bem possível que o empresário, mesmo se condenado, não seja preso. Para ela, a lei que trata de crimes cometidos contra animais precisa passar por reformulação.

Por Guilherme Batista

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