SEGUNDA, 27/04/2026, 16:03

Londrina mobiliza especialistas para salvar o Ribeirão Cambé e o Lago Igapó

Grupo de trabalho apresenta diagnóstico sobre poluição e propõe soluções permanentes para recuperar as cinco bacias urbanas da cidade

A Prefeitura de Londrina deu um passo decisivo para enfrentar um problema histórico que ameaça o principal cartão-postal da cidade. Um grupo de especialistas e gestores públicos apresentou um estudo detalhado para recuperar a Bacia do Ribeirão Cambé, responsável por formar o Lago Igapó. O cenário identificado é crítico: o acúmulo de esgoto clandestino, o excesso de sujeira e a poluição química levaram o ecossistema ao limite, fenômeno que ficou visível nos últimos meses quando as águas do lago ganharam uma tonalidade esverdeada.

De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Marcos Rambalducci, o trabalho desenvolvido nos últimos cinco meses por pesquisadores e doutores de instituições como a UEL e a UTFPR não se limita apenas ao Ribeirão Cambé, mas abrange as cinco bacias urbanas do município. O foco inicial no Ribeirão Cambé deve-se à sua importância ambiental e ao avançado estado de degradação. A estratégia agora é adotar "soluções baseadas na natureza" para suavizar os efeitos de eventos climáticos extremos e devolver a saúde aos rios e lagos da região.

O projeto estabelece dez prioridades imediatas, começando pelo monitoramento constante e em tempo real da qualidade da água. O secretário alerta que essa não é uma ação passageira com data para terminar, mas sim um compromisso que deve ser mantido permanentemente para garantir a preservação dos recursos hídricos a longo prazo. Após a conclusão desta etapa no Ribeirão Cambé, os estudos serão direcionados para o Lago Cabrinha e o Lago Norte, estendendo o planejamento técnico para as demais áreas da cidade.

Segundo os especialistas a recuperação efetiva exige um esforço conjunto que vai além da limpeza superficial. O grupo recém-formado reforça que é necessário combater a origem dos danos, o que inclui a fiscalização rigorosa de ligações irregulares de esgoto, o plantio de mata ciliar nas margens e o controle do assoreamento, que é o acúmulo de terra no fundo dos rios. Embora a atual gestão tenha colocado o tema como prioridade, o governo municipal reconhece que a solução para décadas de descaso é complexa e os resultados serão colhidos gradualmente ao longo dos próximos anos.

Por João Gabriel Rodrigues

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