SEGUNDA, 18/05/2026, 11:18

Moradores do Flores do Campo não acreditam em ‘solução’ da prefeitura e preferem continuar na ocupação

Cohab anunciou construção de 1.200 moradias para realocar famílias que vivem em área irregular há dez anos. Moradores dizem que não foram ouvidos

Os moradores do residencial Flores do Campo, na zona norte, acompanham com cautela os planos da prefeitura para a área irregular. Na última semana, a CBN trouxe em primeira mão a informação de que a Companhia de Habitação (Cohab) pretende demolir toda a estrutura que, há dez anos, serve de moradia para mais de mil famílias. Entretanto, a demolição só seria feita depois da realocação de todos os moradores para 1.215 habitações populares que serão construídas no município com recursos da Caixa Econômica Federal e por meio de uma parceria com o Ministério das Cidades. A Cohab tem enfrentado resistência por parte de terceiros que estariam questionando o projeto na Justiça. Não há prazo para a homologação do acordo e a liberação dos recursos para a construção das unidades.

Em entrevista à CBN nesta segunda-feira (18), a presidente da Associação de Moradores do Flores do Campo, Simone de Oliveira, disse que as famílias ainda não acreditam nessa ‘solução’ proposta pela prefeitura. Em vez de construir novas casas, conforme ela, o município deveria regularizar a situação da ocupação, implantando os serviços de água e luz e, posteriormente, fazendo a cobrança da infraestrutura dos moradores.

Ela também criticou a falta de transparência por parte do poder público, que teria decidido o destino dos moradores sem ouvi-los. Simone contou que as famílias ficaram sabendo dos planos da Cohab por meio da imprensa.

Simone mora no Flores do Campo desde o primeiro dia da ocupação, que teve início em outubro de 2016. De lá para cá, segundo ela, o espaço se transformou, ganhando senso de comunidade há cerca de cinco anos, a partir da criação da associação de moradores. Atualmente, Simone garantiu que as famílias se ajudam e entendem que o coletivo precisa ser prioridade.

Ainda segundo a representante, o Flores do Campo também se tornou refúgio para imigrantes venezuelanos que vieram do país de origem tentar a sorte em Londrina.

Por Guilherme Batista

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