SEGUNDA, 08/06/2026, 07:00

Motoristas fogem do bafômetro no PR, mas recusa gera multa de quase R$ 3 mil

Menos de 10% dos condutores com sinais de embriaguez aceitam fazer o teste nas rodovias federais; penalidades administrativas são as mesmas de quem é flagrado bêbado

Embora ninguém seja obrigado a produzir provas contra si mesmo, o que torna o teste do bafômetro opcional por lei, a recusa virou a principal estratégia dos motoristas que bebem e dirigem.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que menos de 10% dos condutores flagrados com sinais de embriaguez aceitam assoprar o aparelho. O reflexo disso aparece nos números mais recentes: apenas em maio de 2026, as rodovias federais que cortam o Paraná registraram 231 recusas de motoristas durante as abordagens.

Segundo a PRF, a maioria prefere não assoprar o bafômetro por medo de ser presa, já que, dependendo da quantidade de álcool detectada, a conduta deixa de ser apenas uma infração e passa a ser considerada crime de trânsito.

No entanto, rejeitar o teste não livra o motorista de punições severas. A recusa administrativa é classificada como uma infração gravíssima com fator multiplicador. Na prática, o condutor que diz não ao bafômetro recebe exatamente a mesma punição de quem é flagrado bêbado: uma multa pesada de R$ 2.934,70, a suspensão do direito de dirigir por 12 meses e a obrigação de passar por um curso de reciclagem.

Mesmo sem o bafômetro, os policiais têm autonomia para constatar a embriaguez por meio de sinais visíveis no comportamento do condutor, como alteração na fala e falta de equilíbrio. O mapeamento da corporação mostra que o sábado é o dia da semana com o maior número de flagrantes e recusas nas estradas paranaenses, seguido de perto pelo domingo e pela segunda-feira.

Por João Gabriel Rodrigues

Comentários