TERCA, 17/03/2026, 18:13

MP investiga vereador de Ibiporã por fala racista em sessão da câmara

Parlamentar Rafael da Farmácia pode perder o cargo e enfrentar até três anos de reclusão após comentário sobre piscina pública

O Ministério Público do Paraná (MPPR) instaurou um procedimento investigatório criminal contra o vereador Rafael Nascimento (PSD), o "Rafael da Farmácia", para apurar declarações de cunho preconceituoso proferidas durante uma sessão na Câmara Municipal de Ibiporã.

A investigação foca em um episódio ocorrido em fevereiro, quando o parlamentar, ao criticar as condições de manutenção de uma piscina pública da cidade, afirmou que o local estaria "tão podre que preto perdia para ela". O caso ganhou visibilidade após um vídeo com o trecho da fala circular nas redes sociais.

A decisão da Promotoria de Justiça foi motivada pela denúncia de um morador da cidade, seguida pela confirmação do conteúdo nos registros oficiais da Casa de Leis. O objetivo do MPPR é verificar se a conduta do vereador se enquadra no artigo 20 da Lei de Racismo, que tipifica os crimes de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor e etnia. Se houver condenação, o vereador pode enfrentar uma pena de um a três anos de reclusão e multa, além da possibilidade de perda do mandato eletivo. No momento, o processo está em fase de diligências, com a coleta de depoimentos e análise técnica do material.

Além do desdobramento no âmbito criminal, o Legislativo de Ibiporã avalia um pedido de explicações protocolado por um cidadão, que atualmente tramita no setor jurídico da instituição.

Em nota oficial divulgada logo após a repercussão do vídeo, Rafael Nascimento pediu desculpas e descreveu sua fala como "infeliz no campo retórico", alegando que não houve intenção de ofender ou discriminar qualquer grupo específico. No texto, o parlamentar afirmou ainda que se inclui na população negra e que reafirma seu compromisso com o combate ao racismo. Procurado novamente para comentar a abertura do inquérito pelo Ministério Público, o vereador não deu retorno até o fechamento desta edição.

Por João Gabriel Rodrigues

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