TERCA, 02/06/2026, 11:44

MPPR prende três investigados em nova fase da Operação Miragem contra loteamentos clandestinos em Ibiporã

Investigação aponta continuidade dos crimes mesmo após primeira operação, uso de empresa de fachada para venda irregular de terrenos e ameaças a agentes públicos

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou a segunda fase da Operação Miragem, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa responsável pela implantação e comercialização de loteamentos clandestinos em Ibiporã.

A ação resultou na prisão de três investigados apontados como líderes do esquema, além do bloqueio de R$ 3,5 milhões em bens e valores para garantir o ressarcimento das vítimas e dos cofres públicos.

De acordo com o promotor Jorge Barreto, os presos eram os proprietários dos empreendimentos irregulares e responsáveis pelo parcelamento ilegal das áreas. Segundo ele, os terrenos eram divididos e vendidos sem autorização dos órgãos competentes e em desacordo com as legislações urbanística e ambiental.

As investigações indicam que aproximadamente 60 pessoas podem ter sido lesadas. Conforme o MPPR, os compradores eram atraídos por anúncios que apresentavam os terrenos como produtos regulares e aptos para aquisição. Entretanto, ao fechar negócio, recebiam apenas contratos particulares de compra e venda, sem a documentação necessária para garantir a legalização das propriedades.

A nova etapa da operação foi motivada pela constatação de que os investigados continuaram atuando mesmo após as medidas cautelares impostas na primeira fase. No entanto, conforme a investigação, o grupo teria criado uma nova empresa em nome de uma familiar para manter as vendas.

Além dos crimes relacionados aos loteamentos, a investigação passou a apurar suspeitas de ameaças contra agentes públicos envolvidos no caso. A análise de celulares apreendidos na primeira fase revelou mensagens que indicariam tentativas de intimidação contra fiscais da Prefeitura de Ibiporã e integrantes do Ministério Público. Também foram identificadas consultas a redes sociais de familiares de autoridades ligadas à investigação.

Há ainda relatos de que os investigados teriam cogitado ações para impedir a realização de uma audiência pública sobre os loteamentos irregulares, incluindo ameaças relacionadas à estrutura do Fórum da comarca.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e outros delitos apurados ao longo da investigação. As apurações financeiras apontam que o grupo pode ter movimentado cerca de R$ 3,5 milhões com a comercialização irregular dos lotes. O valor bloqueado judicialmente poderá ser utilizado para eventual reparação dos danos causados às vítimas e ao poder público caso as acusações sejam confirmadas ao final do processo.

Todos os três investigados apontados como responsáveis pelo esquema foram presos durante a operação e permanecem à disposição da Justiça.

Por Paulo Andrade

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