Observatório de Gestão Pública de Londrina questiona reajuste do transporte coletivo
A entidade divulgou um posicionamento pedindo debate sobre o valor da tarifa e mais fiscalização
O Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) divulgou um posicionamento sobre o reajuste do transporte coletivo no município, que passará de R$ 5,75 para R$ 6,25, a partir de segunda-feira (19).
A entidade informou que reconhece que o reajuste tarifário é uma medida técnica necessária para a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do sistema, que as revisões devem ocorrer anualmente para evitar saltos bruscos no valor. No entanto, o debate sobre o valor da tarifa não pode ser dissociado da eficácia da fiscalização.
Para o observatório, a questão central do transporte coletivo em Londrina reside na ausência de um controle efetivo por parte da Prefeitura Municipal (PML).
Sem ferramentas próprias de monitoramento tecnológico, a administração pública torna-se refém dos dados fornecidos pelas concessionárias, o que compromete a auditabilidade do sistema.
O cenário atual, de acordo com o observatório, marcado por ônibus circulando com baixa ocupação em diversos horários, um sistema de bilhetagem arcaico e o risco iminente de rombo orçamentário devido à alta tarifa técnica, representa sintomas claros de um modelo que precisa ser integralmente rediscutido. A falta de modernização afasta o usuário e torna o sistema financeiramente insustentável a longo prazo.
O Observatório manterá sua postura vigilante, sugerindo que a Prefeitura assuma o controle tecnológico do sistema e promova uma discussão aberta com a sociedade e que o objetivo é garantir que o município pague estritamente o que é devido e que a população londrinense receba, em contrapartida, um serviço de qualidade, com preço justo e gestão transparente.
Em nota a CMTU informou que reconhece a importância do Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) para o fortalecimento da transparência e do debate público na cidade.
O sistema de transporte público de Londrina opera com ITS (Intelligent Transport Systems) em 100% da frota, integrado ao Centro de Inteligência Operacional (CIOP) — uma parceria inédita no Brasil entre concessionárias e poder público. Todos os dados de operação são monitorados e acompanhados em tempo real com o órgão gestor municipal. O sistema é 100% auditável, sem dependência exclusiva de dados fornecidos pelas concessionárias — o órgão gestor tem acesso direto e independente às informações operacionais.
Quanto à bilhetagem, o sistema eletrônico de Londrina é um dos mais modernos do Brasil, com vários meios de pagamento como cartão de débito, crédito nos ônibus e Pix nos terminais.
Sobre o desempenho, o lote que a TCGL opera registrou crescimento de 9,31% na demanda de passageiros em 2025, recuperando cerca de 90% do patamar pré-pandemia. Na XIV Pesquisa de Percepção do Fórum Desenvolve Londrina, o transporte público figura entre os cinco aspectos mais positivos da cidade e tem aprovação superior a 90% dos usuários . O modelo de gestão de Londrina recebeu em 2025 o Prêmio P3C da B3 (Melhor Gestão Pública de Projetos Municipais), certificação da ANTP e foi apresentado em dois painéis na COP30.
A CMTU esta finalizando o processo de contratação de uma auditoria externa, que é uma exigência do atual contrato e também uma recomendação dos órgãos de controle como Ministério Público e Tribunal de Contas, mas que jamais foi cumprida pela gestão anterior da Companhia.