Paraná prorroga campanha contra a gripe por tempo indeterminado; Londrina vacinou apenas 19% das crianças
Estado tenta alcançar 90% dos grupos prioritários antes da chegada do inverno rigoroso. Na cidade, baixa cobertura infantil e de idosos (44%) acende alerta de gestores para casos graves
O Paraná vai continuar com a campanha de vacinação contra a gripe para os grupos prioritários por tempo indeterminado. A decisão foi anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde nesta sexta-feira (29), véspera do fim do prazo oficial estipulado pelo Ministério da Saúde.
O objetivo da prorrogação é claro: garantir a proteção das pessoas mais vulneráveis antes da chegada do rigoroso inverno paranaense, período em que os casos de doenças respiratórias graves costumam disparar. Apesar de a meta do governo para vacinar 90% desse público, que inclui crianças, idosos e gestantes, o estado conseguiu imunizar apenas 41,6% dessas pessoas até o momento.
Desde o final de março, mais de 1,8 milhão de doses já foram aplicadas em todo o estado. No entanto, o Paraná ainda aguarda que o Governo Federal envie o restante das vacinas necessárias para cobrir todos os 4,8 milhões de paranaenses que formam o público-alvo.
Para tentar melhorar esses números e facilitar o acesso da população, as cidades foram orientadas a levar as equipes de saúde para dentro das escolas. Nesses mutirões, a vacina é oferecida não apenas aos alunos, mas a toda a comunidade escolar.
Em Londrina, no entanto, a iniciativa na rede municipal de ensino não trouxe bons resultados. Segundo a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, os municípios estão buscando alternativas. Ela explica que foram realizadas ações extramuros para fortalecer o programa de saúde escolar, mas a adesão dos pais foi muito baixa: de 7 mil crianças, apenas cerca de 500 foram vacinadas por meio do programa.
A secretária de Saúde classificou como "péssimo" o índice de apenas 19% de crianças vacinadas na cidade. A cobertura dos idosos no município está em cerca de 44%. Embora a média geral de vacinação em Londrina seja de 53%, um número superior à média nacional de 40%, o resultado ainda está muito longe do ideal.
A secretária faz um apelo aos pais e familiares, alertando que a recusa em tomar a vacina contribui diretamente para a superlotação dos prontos-socorros com pacientes em estado grave.
O cenário é de alerta: atualmente, nenhuma cidade do Paraná conseguiu vacinar sequer 80% do seu grupo prioritário. No panorama estadual, as gestantes são as que mais têm buscado os postos de saúde, seguidas pelos idosos, enquanto as crianças amargam os piores índices de proteção contra o vírus da gripe.