"Parece que estamos enxugando gelo", desabafa campeão mundial sobre situação do Lago Igapó
Referência da paracanoagem brasileira, Igor Tofalini critica burocracia da Prefeitura e pede solução definitiva para a poluição e o acúmulo de vegetação que atrapalham treinos de medalhistas olímpicos
Principal cartão-postal de Londrina e berço de conquistas internacionais, o Lago Igapó tem sido motivo de frustração para quem leva o nome da cidade ao topo do pódio mundial. O paratleta Igor Tofalini, multicampeão e membro da Seleção Brasileira desde 2016, fez um apelo emocionado sobre as condições precárias que enfrenta diariamente. Segundo ele, a rotina de treinos para os Jogos de Los Angeles 2028 tem sido prejudicada pela sujeira e pelo excesso de matéria orgânica que se prende aos caiaques. Ao lado de outros nomes de peso, como o medalhista de ouro em Paris, Fernando Rufino, Tofalini descreve um cenário desanimador onde a falta de organização da Prefeitura impede o pleno desenvolvimento do esporte.
O atleta aponta que o problema não é apenas a sujeira, mas a forma como a manutenção é feita. Para ele, as ações atuais são paliativas e dão a sensação de que o poder público está "enxugando gelo", já que a vegetação e os resíduos são retirados e retornam logo em seguida. Tofalini ressalta que especialistas locais, como seu técnico Gelson Moreira, que atua no lago há mais de 30 anos, já apresentaram sugestões e vídeos com soluções técnicas, mas as ideias esbarram em uma barreira burocrática que parece ignorar quem realmente conhece o dia a dia das águas. O desabafo foca na necessidade de um planejamento conjunto entre os órgãos ambientais e a administração municipal para que o dinheiro público não seja desperdiçado em limpezas superficiais que não resolvem a causa do problema.
A situação de abandono se agravou desde setembro de 2025, quando o contrato com a empresa responsável pela manutenção foi rompido. Desde então, a Prefeitura não firmou um novo acordo regular, operando apenas com recursos próprios de forma emergencial.
Em resposta ao descontentamento dos atletas e da população, a CMTU informou que mantém equipes fixas para serviços de roçagem e limpeza de lixeiras do Lago 1 ao 4. A Companhia também afirmou que está na fase final de estudos técnicos para abrir uma nova licitação nas próximas semanas. Sobre as plantas que flutuam na superfície, conhecidas como "alfaces d'água", o órgão alegou que realizou uma força-tarefa recente com guindastes para retirar centenas de quilos da vegetação, mas, para quem depende do lago para trabalhar e competir, o esforço ainda está longe de devolver ao Igapó a dignidade de um cartão-postal.