QUINTA, 05/03/2026, 09:55

Sem contato com a família no Irã, professor de Londrina acompanha guerra apenas pelas notícias após queda da internet no país

Docente da UTFPR relata angústia diante da falta de comunicação com parentes e avalia que conflito pode se prolongar, com impactos diretos sobre a população civil

A escalada do conflito no Irã tem provocado apreensão também fora do Oriente Médio. Em Londrina, o professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Alireza Moheb Ashtiani vive dias de incerteza desde que perdeu completamente o contato com familiares que permanecem no país.

Natural do Irã e residente no Brasil há duas décadas, o docente acompanha à distância a situação da mãe, irmãos e demais parentes, depois da interrupção da internet no território iraniano, o que impossibilitou qualquer comunicação direta nos últimos dias. Segundo ele, as únicas informações disponíveis chegam por meio de canais internacionais de notícias e plataformas alternativas.

O professor explicou que nasceu e viveu no Irã até os 26 anos, mudando-se para o Brasil em 2006 para realizar o doutorado. Atualmente naturalizado brasileiro, ele mantém vínculos familiares e afetivos com o país de origem, o que torna o cenário ainda mais angustiante.

Apesar da preocupação constante, Alireza afirma que parte da família reside em uma cidade menor, localizada a cerca de 230 quilômetros da capital Teerã, região que, até o momento, não estaria entre os principais alvos dos ataques.

Ainda assim, a ausência de comunicação direta aumenta a tensão vivida por iranianos que estão no exterior.

Além da preocupação pessoal, o professor também fez uma análise sobre o cenário político e militar, avaliando que o conflito dificilmente terá uma solução rápida. Na visão dele, o desfecho pode passar por mudanças políticas internas ou por negociações internacionais mais amplas.

Para Alireza, um eventual caminho para a estabilidade dependeria de maior diálogo entre o governo iraniano, sua população e a comunidade internacional, embora ele não veja perspectivas imediatas de pacificação.

O docente destacou ainda o impacto humano da guerra, ressaltando que, independentemente dos alvos militares, a população civil acaba sendo a principal afetada pela destruição causada pelos bombardeios, e reforçou a importância de diferenciar o povo iraniano das decisões políticas do governo do país. Segundo ele, muitas vezes a percepção internacional sobre o Irã não reflete o pensamento da população, que possui visões diversas sobre os rumos políticos e sociais da nação.

Enquanto aguarda a retomada das comunicações, Alireza segue acompanhando as notícias diariamente, na expectativa de obter qualquer sinal dos familiares e torcendo pelo fim do conflito e pela preservação da população civil.

 

Com a colaboração do repórter João Gabriel Rodrigues

Por Paulo Andrade

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