"Temos que eliminar a violência contra a mulher, não apenas diminuir", afirma ministra Márcia Lopes
Em entrevista, ministra das Mulheres defende mudança cultural e aprovação de lei contra a misoginia para frear crimes que começam com ofensas e podem terminar em morte
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou a urgência de uma mobilização de toda a sociedade para acabar com a violência de gênero no Brasil. Em entrevista à Rádio CBN Londrina, a ministra destacou que o combate ao feminicídio exige enfrentar o problema na raiz, rompendo com uma cultura que desvaloriza a vida feminina.
Segundo ela, a violência costuma seguir uma escalada que começa com humilhações e agressões psicológicas antes de chegar ao crime fatal. Para mudar essa realidade, a ministra defende a aprovação de uma lei que criminalize a misoginia o ódio e o desprezo contra mulheres e a inclusão de conteúdos de conscientização nos currículos escolares de crianças e adolescentes.
Os dados mais recentes da Segurança Pública do Paraná mostram que esse esforço de prevenção começa a dar resultados, mas o desafio ainda é grande. Em janeiro de 2026, o estado registrou 8 feminicídios, uma queda de quase 40% em comparação aos 13 casos ocorridos no mesmo mês do ano passado.
O número de estupros também caiu 21%, baixando de 549 para 430 registros. Entretanto, a violência doméstica permanece praticamente estagnada, com 6.687 ocorrências em janeiro deste ano apenas 35 casos a menos que em 2025. Márcia Lopes ressaltou que ferramentas como o Ligue 180 são fundamentais, sendo um canal sigiloso que orienta e protege as vítimas, inclusive por meio de medidas protetivas.
Olhando para o cenário consolidado de 2025, o Laboratório de Estudos de Feminicídio da UEL (LESFEM) aponta que o Paraná foi o sexto estado com mais mortes de mulheres no Brasil, somando 355 casos entre consumados e tentados. A maior parte das vítimas tem entre 25 e 34 anos.
Em Londrina, os números mostram oscilações: a cidade teve cinco casos em 2024, apenas um em 2025, mas já registra três mortes até maio de 2026. A ministra enfatizou que a responsabilidade por mudar esses índices não é apenas do governo, mas também de vizinhos, amigos e instituições como igrejas e sindicatos, que devem abandonar o pensamento antigo de que "em briga de marido e mulher não se mete a colher".