QUINTA, 16/07/2026, 15:32

UEL desenvolve vacina para proteger tilápias e bagres contra bactéria que causa prejuízos à piscicultura

Projeto busca desenvolver imunizantes contra a edwardsielose, doença que afeta peixes de água doce. A expectativa é que a vacina possa chegar ao mercado em até cinco anos

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está desenvolvendo uma pesquisa que pode fortalecer a piscicultura brasileira e reduzir prejuízos causados por uma das principais doenças bacterianas que afetam os peixes de cultivo. O projeto, coordenado pelo professor Ulisses de Pádua Pereira, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), busca desenvolver vacinas contra a edwardsielose, doença provocada por bactérias do gênero Edwardsiella que atingem principalmente as tilápias e bagres.

O estudo pretende identificar como essas bactérias infectam diferentes espécies de peixes para criar vacinas mais eficientes. O trabalho é especialmente importante para o Paraná, maior produtor de tilápia do país, responsável por cerca de 273 mil toneladas de pescados em 2025.

A pesquisa também pretende avaliar duas formas de imunização. A primeira é a aplicação tradicional por injeção. A segunda, considerada mais prática para grandes produções, consiste na vacinação por imersão, quando os peixes permanecem em contato com a vacina diluída na água, reduzindo o estresse dos animais e a necessidade de mão de obra.

Além de proteger a produção aquícola, o pesquisador destaca que o projeto também traz benefícios para a saúde pública. Algumas bactérias do gênero Edwardsiella podem causar infecções em seres humanos, tornando a vacinação uma estratégia alinhada ao conceito de Saúde Única, que integra a saúde animal, humana e ambiental.

A expectativa é concluir as primeiras validações laboratoriais em até três anos. Depois, a tecnologia passará por testes em campo e pela fase de escalonamento industrial. Segundo o professor, se todas as etapas forem concluídas com sucesso, a vacina poderá ser produzida em larga escala e disponibilizada aos produtores brasileiros em aproximadamente cinco anos, fortalecendo um dos setores mais importantes do agronegócio paranaense.

Por Paulo Andrade

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