TERCA, 10/03/2026, 16:34

Chuva adia novamente reconstituição de ação policial com duas mortes em Londrina

Simulação de ocorrência em 2022 na PR-445 já foi remarcada quatro vezes; nova data prevê execução dos trabalhos no Autódromo Ayrton Senna dentro de 15 dias

As condições climáticas adversas forçaram, nesta terça-feira (10), um novo adiamento da reprodução simulada dos fatos referente a uma intervenção da Companhia de Choque da Polícia Militar que resultou na morte de dois jovens e feriu um terceiro em maio de 2022. Com a chuva que atingiu a cidade, a reconstituição ficou para daqui 15 dias. Embora o episódio original tenha ocorrido na marginal da PR-445, nas proximidades da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a simulação foi transferida para o Autódromo Internacional Ayrton Senna, na zona norte, por questões de viabilidade técnica e segurança.

Este é o quarto adiamento de um procedimento que tenta sair do papel desde o ano passado. A primeira tentativa, em abril de 2023, foi cancelada após o comando da PM alegar falta de efetivo devido ao policiamento da ExpoLondrina. Uma nova data em maio também foi descartada, e o agendamento seguinte, em outubro, no Instituto Médico-Legal (IML), acabou interrompido por divergências entre advogados, familiares e autoridades. A data desta terça-feira (10) havia sido escolhida justamente para encerrar o impasse, mas o clima impediu o trabalho dos peritos.

O caso remonta à tarde do dia de 6 de maio de 2022, quando Anderbal Campos Bernardo Júnior, de 21 anos, e Willian Jones Faramilio da Silva, de 18, morreram após serem atingidos por disparos efetuados por policiais militares. Um terceiro ocupante do veículo, então com 23 anos, sobreviveu a sete tiros. Enquanto a Polícia Militar sustenta a tese de confronto armado, a família das vítimas e o sobrevivente afirmam que os jovens estavam desarmados e que a guarnição abriu fogo imediatamente após a aproximação, sem ordem de parada.

A realização da prova pericial em local distinto do crime, como o autódromo, é amparada pelo Código de Processo Penal, que permite flexibilidade quando o cenário original foi alterado ou quando há riscos à ordem pública. No caso em questão, a defesa dos policiais solicitou a mudança alegando falta de segurança, ainda que a presença dos envolvidos não seja obrigatória. O objetivo central da reconstituição permanece sendo o confronto de versões para auxiliar o convencimento da Justiça sobre a dinâmica real dos disparos.

Por João Gabriel Rodrigues

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