QUARTA, 28/10/2026, 12:21

Integrantes do PCC, em Londrina, ofereciam drogas em troca de assinaturas para projeto de lei

Proposta de iniciativa popular buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas nos presídios. Operação do Gaeco cumpriu 15 mandados judiciais contra organização criminosa

Integrantes do PCC que comandam as atividades da facção criminosa no norte do Paraná foram alvos de mais uma operação do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público (MP), nesta quarta-feira (28). As equipes foram às ruas com o objetivo de cumprir sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão no âmbito da Operação Umbra, que investiga a atuação regional da organização criminosa do interior dos presídios.

A facção também é investigada por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais nas unidades prisionais. De acordo com o promotor José Paulo Montesino, os chefes, que seriam irmãos, faziam a entrega de mais droga em biqueiras comandadas por traficantes que, por influência ou medo, conseguiam angariar as assinaturas junto à população. Cada grama de cocaína entregue, segundo planilhas apreendidas pela polícia, equivalia a oito assinaturas. Um dos irmãos cuidava das finanças da facção e o outro comandava a parte disciplinar, conforme destacou o promotor.

Montesino disse que, por enquanto, o responsável por trás do projeto de iniciativa popular não foi identificado, tampouco se a a apresentação da proposta iria contar com o auxílio de algum político em Brasília.

As ordens judiciais foram cumpridas em endereços relacionados aos investigados e nas penitenciárias onde eles cumprem pena. As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no interior de São Paulo.

O núcleo da facção ficava sediado na zona sul de Londrina e atuava em toda a região norte do estado, com o comércio de drogas e armas de fogo e dando ordens para o cometimento de outros crimes graves, como assaltos e homicídios. Inclusive, durante a operação desta quarta-feira, segundo o promotor, foram presos dois homens acusados de assassinar a tiros um rival, em Rolândia, em 2024. Na ocasião, a vítima estava com o filho de 7 anos no colo. A criança também foi morta.

A operação apreendeu droga, armas, celulares e anotações relacionadas ao esquema criminoso. O Gaeco vai continuar investigando o caso, com o objetivo de identificar os outros integrantes da quadrilha, que possui "braços" em todo o território nacional.

Por Guilherme Batista

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