SEXTA, 30/10/2026, 16:31

Motorista que matou vigilante em acidente deixa delegacia após pagar fiança de R$ 32 mil

Polícia também investiga a velocidade do veículo; caso três fatores sejam comprovados, ele poderá responder por homicídio com dolo eventual, cuja pena pode chegar a 20 anos

O motorista envolvido no acidente que matou o vigilante Lucas Orozimbo, em Londrina, deixou a delegacia no início da tarde desta sexta-feira (30), após pagar fiança de R$ 32 mil. A decisão foi tomada durante a audiência de custódia. Com isso, ele poderá responder ao processo em liberdade. A defesa havia tentado conseguir a liberdade provisória na quinta-feira (29), mas o pedido foi negado pelo juiz de plantão.

Em entrevista à reportagem da Rádio CBN Londrina, o delegado da Polícia Civil, Edgard Soriani, explicou que a investigação continua para esclarecer todas as circunstâncias do acidente. Inicialmente, a suspeita era de que o motociclista teria avançado o sinal vermelho. No entanto, imagens analisadas pela polícia mostram que o sinal estava verde para a vítima e que o motorista do carro teria desrespeitado a sinalização.

Segundo o delegado, o motorista admitiu que havia consumido bebida alcoólica antes do acidente. Além disso, a polícia investiga se ele dirigia acima da velocidade permitida. Para esclarecer esse ponto, a Delegacia de Delitos de Trânsito solicitou imagens de câmeras de segurança instaladas em empresas e imóveis próximos ao local da colisão.

Para Edgard Soriani, se as investigações comprovarem que o motorista assumiu o risco de provocar uma morte ao dirigir embriagado, em alta velocidade e desrespeitando a sinalização, o caso poderá ser enquadrado como homicídio com dolo eventual, previsto no Código Penal. Nessa situação, a pena pode chegar a 20 anos de prisão.

O delegado ressaltou que essa mudança depende das provas reunidas durante o inquérito e da avaliação das autoridades responsáveis pelo caso, incluindo o Ministério Público. Se a classificação continuar como homicídio culposo no trânsito, existe a possibilidade de o motorista fazer um acordo de não persecução penal, que pode envolver medidas como o ressarcimento aos familiares da vítima.

Nesse cenário, segundo Soriani, dificilmente ele cumpriria pena em regime fechado.

Já no caso de uma eventual denúncia por homicídio com dolo eventual, o motorista poderá ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e, se condenado, poderá receber uma pena maior, inclusive com possibilidade de cumprimento em regime fechado.

A investigação segue sob responsabilidade da Delegacia de Delitos de Trânsito, que aguarda os laudos da Polícia Científica e a entrega das imagens solicitadas para definir a dinâmica do acidente e a possível responsabilização criminal do motorista.

Por João Gabriel Rodrigues

Comentários