SEGUNDA, 11/10/2021, 07:02

Pesquisa revela oito pontos de Londrina com mais acidentes envolvendo ciclistas

Mortes no trânsito foram registradas em todas as regiões da cidade, mas o Centro e a Zona Sul concentraram a maior parte dos sinistros com óbitos.

Entre 2010 e 2020, Londrina contabilizou pouco mais de 3.200 sinistros envolvendo ciclistas. O dado faz parte da pesquisa “Conflitos políticos e físicos no transporte por bicicleta em Londrina”. Outro número que chamou a atenção na dissertação de mestrado na UEL do geógrafo Matheus da Silva, é que a cidade registra poucas viagens diárias de bicicleta, apenas 9 mil, ou 1% do total feito por todos os tipos de veículos em 24 horas. A metade da média nacional entre os municípios de mesmo porte.

O problema, segundo o pesquisador é que, além de ter uma média baixa de viagens diárias de bicicleta, Londrina também registrou, entre 2010 e 2020, praticamente, um sinistro por dia envolvendo ciclistas.

Ocorrências que não necessariamente foram acidentais, como, por exemplo, no caso de um motorista embriagado, que assumiu o risco ao beber e depois dirigir.

As mortes no trânsito de ciclistas foram registradas em todos os cantos da cidade. Mas, foram o Centro e a Zona Sul que mais concentraram sinistros com óbitos, 22 no total.

A maior parte das mortes ocorreu em vias de velocidade, como algumas das principais avenidas da cidade, entre elas a Dez de Dezembro e a Leste-Oeste. Com os dados todos em mãos, o pesquisador fez um trabalho de geocodificação e chegou a alguns pontos de Londrina com mais ocorrências.

Do total de 3.221 ocorrências, 1.947 terminaram com ferimentos leves nos ciclistas e 1.123 acabaram em lesões graves. Entre esses casos, a maioria envolveu bicicletas e caminhões. Mas, boa parte dos sinistros, 925 dos 3.221, quase 30%, foi registrada entre bicicletas e carros. E deste total, mais de 36% foram graves.

O pesquisador diz ainda que os números revelam a existência de ciclistas por toda a cidade e também a falta de uma cultura de uso da bicicleta como meio de transporte diário.  

A pesquisa mostra ainda que a maioria dos casos ocorreu entre as 16 horas e as 20 horas. Nos registros noturnos, a iluminação deficiente foi apontada como uma das principais causas dos sinistros.

Outro dado é que 72% deles envolveram homens, número que se aproxima do perfil do ciclista londrinense. Na pesquisa, o geógrafo levantou quatro pontos essenciais para um bom plano de mobilidade urbana. Primeiro, a conexão entre as ciclovias e ciclofaixas. O segundo ponto é a consolidação da bicicleta como meio de transporte, para todo tipo de atividade. Em terceiro lugar, a manutenção e fiscalização das ciclovias, com atenção especial para os cruzamentos e rotatórias.

O geógrafo agora vai continuar os estudos na região norte do país, mais precisamente na Ilha de Marajó, no Pará, onde uma cidade ribeirinha de 40 mil habitantes chamada Afuá, proibiu, há quase 20 anos, o uso de qualquer veículo motorizado e a bicicleta se tornou o principal meio de transporte.

Por Marcos Garrido

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