QUINTA, 22/01/2026, 15:02

Apreensão de “canetas emagrecedoras” dispara na região de Londrina

Em 2025, Receita Federal interceptou 10 mil unidades enviadas sem qualquer cuidado sanitário; contrabandistas trocam rodovias principais por estradas de chão para tentar burlar fiscalização integrada

A Receita Federal registrou um aumento expressivo na apreensão de medicamentos contrabandeados na região de Londrina, puxado principalmente pelas chamadas “canetas emagrecedoras”. Segundo o auditor-fiscal e delegado adjunto da Receita em Londrina, Luiz Henrique Barros, o crescimento está diretamente ligado à popularização desse tipo de medicamento ao longo de 2025.

Em 2024, praticamente não havia apreensões desse produto. Já em 2025, a situação mudou completamente. Enquanto no ano passado foram apreendidos cerca de 260 medicamentos na região, neste ano o número saltou para mais de 10 mil unidades. Em valor de mercado, as apreensões chegam a quase R$ 1 milhão, um aumento de aproximadamente 10.000%.

De acordo com a Receita, os contrabandistas evitam as rotas tradicionais e as estradas com maior fiscalização. Em vez dos caminhos mais comuns, como o trajeto entre Foz do Iguaçu, Maringá e Londrina, eles utilizam desvios, estradas secundárias e até vias de chão para tentar escapar da fiscalização.

O combate ao contrabando é feito de forma integrada entre Receita Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal. Por isso, tanto a Receita pode apreender drogas quanto as polícias podem apreender mercadorias ilegais, dependendo da situação.

Em alguns casos, o transporte desses medicamentos pode configurar tráfico internacional de drogas. Quando isso acontece, os envolvidos são encaminhados à Polícia Federal e podem, sim, ser presos.

A Receita também alerta para o risco à saúde. Os medicamentos são transportados de forma irregular, escondidos em portas e assoalhos de veículos, sem refrigeração e sem qualquer cuidado com o acondicionamento, o que compromete a eficácia e a segurança do produto.

Além das rodovias, a fiscalização também ocorre nos Correios. Encomendas são monitoradas e, quando identificadas irregularidades, os medicamentos são apreendidos e os remetentes investigados. A Receita reforça que o objetivo é proteger a saúde da população e combater o comércio ilegal.

Com a colaboração do repórter Paulo Andrade

Por João Gabriel Rodrigues

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