TERCA, 10/03/2026, 18:43

Londrinenses retidos em Dubai relatam dias de tensão sob ataques de drones

Grupo de 24 turistas desembarcou em Londrina na segunda-feira (9) após confinamento em navio de cruzeiro devido ao agravamento do conflito no Oriente Médio

O que deveria ser uma viagem de férias inesquecível transformou-se em um teste de resiliência e sobrevivência para um grupo de 24 moradores de Londrina. Após dias de confinamento e incertezas em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, os turistas finalmente chegaram à rodoviária londrinense na segunda-feira (9), protagonizando cenas de alívio e forte emoção no reencontro com familiares.

A crise teve início no dia 28 de fevereiro, quando o grupo já estava em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com Cristina Strick, proprietária da agência responsável pela viagem e líder do grupo, a rotina de passeios foi bruscamente interrompida por uma ordem do comando do navio da MSC Cruzeiros. O guia que acompanhava os londrinenses recebeu um chamado urgente solicitando o retorno imediato de todos os ônibus ao porto, sob a justificativa de riscos iminentes devido a bombardeios envolvendo Irã, Iraque e Estados Unidos.

A notícia pegou os turistas de surpresa, uma vez que não havia sinais prévios de hostilidades na região turística. O retorno forçado ao navio, inicialmente recebido com frustração, logo se provou uma medida de segurança vital.
Pouco após o embarque, alertas de perigo começaram a surgir nos celulares dos passageiros. O grupo descobriu que um dos locais previstos no roteiro daquele dia, um hotel de luxo havia sido atingido por destroços de um drone, provocando um incêndio.
A instabilidade geopolítica paralisou a logística regional. Com o fechamento dos portos e aeroportos de Dubai e Doha, o cruzeiro, que deveria seguir viagem, permaneceu atracado. Durante uma semana, o navio manteve atividades internas para distrair os turistas, mas o clima era de constante vigília.

Relatos de Cristina Strick descrevem um cenário de guerra visível do 15º andar da embarcação. Do navio, os turistas avistaram a fumaça de explosões no centro de Dubai, a movimentação de caças e o brilho de projéteis interceptados pelo sistema de defesa aérea durante a noite. A orientação da liderança foi para que o grupo evitasse áreas abertas, buscando abrigo nas partes internas do navio para minimizar riscos.
Na condição de guia, Cristina relata que precisou equilibrar a própria angústia com a necessidade de transmitir serenidade aos 23 clientes sob sua responsabilidade. Reuniões constantes foram realizadas para monitorar o estado emocional dos passageiros enquanto o comandante do navio negociava janelas de desembarque. Após dias de negociações e monitoramento militar, o grupo conseguiu autorização para deixar a região e iniciar a jornada de volta para casa, encerrando um capítulo de medo com o abraço dos familiares em solo paranaense.

Por João Gabriel Rodrigues

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