QUARTA, 01/08/2018, 19:35

Cohab tem mais de 52 mil inscritos a espera da casa própria

Empreendimentos que somados dão mais de 1,3 mil moradias, estão paralisados sem previsão de entrega.

Dados da Companhia de Habitação de Londrina – Cohab revelam que hoje mais de 52 mil famílias estão inscritas à espera do sonho da casa própria.

De acordo com o presidente da Cohab, Luiz Cândido de Oliveira, desse cadastro existem dois tipos de famílias: as que têm rendimentos e nome limpo para financiar o imóvel e outros que entram no programa de vulnerabilidade. São famílias que muitas vezes não tem condições de comprar a casa própria, mas que podem ter benefícios dentro do Programa Federal Minha Casa, Minha Vida, com juros baixos e valores subsidiados pelo governo.

No início desse ano, o município estava sem direito de novos investimentos para construção de imóveis populares com recursos do governo federal para famílias em vulnerabilidade. Tudo por causa de dois empreendimentos parados na cidade.

Mas de acordo com Oliveira, desde março a situação é outra, apesar de os condomínios ainda estarem com as obras paralisadas o Ministério das Cidades já liberou a construção de mais 1,5 mil. A Cohab ainda não tem o local para esses empreendimentos serem construídos, mas estuda e terá projetos em 2019. Cada unidade vai custar até R$ 82 mil.

Já para os inscritos na Cohab e que não fazem parte do setor de vulnerabilidade, esses devem ter novos empreendimentos concluídos ainda esse ano, no total são mais de 1,2 mil imóveis.

Os dois empreendimentos em Londrina parados são: o Alegro Villagio e o Flores do Campo, somados dão mais de 1,3 mil imóveis parados e que já deveriam ter sido repassados aos donos.

O empreendimento Alegro Villagio, localizado na região sul de Londrina, próximo ao Conjunto Jamile Dequech, teve as obras iniciadas há mais de quatro anos. Com previsão de entrega para outubro do ano passado os 144 apartamentos em fase final de acabamento estão em estado de abandono. Ali a construtora alegou não ter condições de continuar com os trabalhos. 

Em nota a Caixa Econômica Federal diz que:

“O empreendimento encontra-se com 72,62% de obra executada, os blocos estão inacabados em várias etapas de construção.

A Caixa como representante do Fundo de Arrendamento Residencial – FAR do programa do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida, já negativou a construtora bem como seus responsáveis, não podendo os mesmos operar em novas obras financiadas pela Caixa e adota providências necessárias para a cobrança da multa contratual.

Devido a dificuldades financeiras da construtora a mesma reduziu o ritmo da construção, pois o empreendimento é uma obra privada.

Os Planos de Ação apresentados pela construtora foram considerados inviáveis devido à falta de recursos, o que motivou a rescisão do contrato por parte da empresa no dia 18 de junho desse ano.

Um Chamamento Público foi publicado pela Caixa para contratação de uma nova empresa, no entanto a única empresa habilitada não apresentou interesse na finalização desta obra. A Caixa mantém o chamamento, aguardando empresas interessadas.”

Já o Residencial Flores do Campo, na região norte de Londrina com 1,2 mil moradias, está com as obras paralisadas desde o início de 2016. A empresa contrata descumpriu acordos e foi penalizada deixando a obra, por isso a paralisação, mas a invasão ocorreu em outubro do mesmo ano por abandono da obra.

Apesar de já ter vencido o último prazo dado pela justiça para reintegração de posse, dia 9 de julho, a Caixa ainda não cumpriu por envolver diversos órgãos públicos.

Em nota a Caixa esclarece que:

“Foram pagos à construtora anterior 48,53% dos recursos financeiros, percentual este igual a obra executada. Após a reintegração, será realizado levantamento técnico do empreendimento para análise da necessidade de aporte de recursos para conclusão da obra, visto o orçamento anterior encontrar-se defasado. Esclarecemos que trata-se de uma obra privada, sob responsabilidade da construtora. A Caixa somente retomou o empreendimento após decisão judicial de reintegração de posse.”

Por Bruno Carraro

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