Operação da Polícia Civil desarticula organização criminosa acusada de golpes milionários contra bancos
Grupo cooptava pessoas em situação de vulnerabilidade para abrir contas bancárias usadas em fraudes; prejuízo pode ultrapassar R$ 20 milhões
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), a Operação Fortuna Sombria, que resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão em Londrina, Sertaneja e no estado de São Paulo, contra uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias de grande escala.
A investigação aponta que o grupo utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade social, principalmente usuários de drogas, para abrir contas bancárias usadas na aplicação de golpes contra instituições financeiras.De acordo com o delegado da Polícia Civil, Edgard Soriani, o esquema era liderado por um casal, proprietário de uma loja de perfumes em Londrina, apontada como o principal ponto de captação das vítimas.
As investigações tiveram início em 2023, quando um banco identificou a abertura de nove contas bancárias utilizando o mesmo comprovante de residência. A partir dessa constatação, a apuração revelou a existência de mais de 100 contas abertas em nome de usuários de drogas, todas vinculadas ao mesmo esquema criminoso. Além disso, surgiu a suspeita do envolvimento de uma gerente bancária, que acabou sendo demitida. Segundo o delegado, a mulher já possui antecedentes e é investigada em diversos procedimentos policiais.
As investigações também indicam que os criminosos levavam essas pessoas ao Paraguai para a compra de perfumes revendidos na loja. Lá, simulavam a perda de documentos e cartões bancários, realizavam compras e, posteriormente, solicitavam o estorno junto aos bancos. Com isso, o golpe era aplicado duas vezes: na compra e na devolução fraudulenta dos valores.
Foram presos o casal apontado como líder da organização e três funcionários da loja, que, segundo a polícia, participavam ativamente da captação das vítimas e da preparação da documentação fraudulenta.
Estimam-se que, desde 2023, quando as investigações começaram, a quadrilha tenha deixado um rombo de R$ 20 milhões. Os investigados devem responder por organização criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema em outros estados.