Contrariando a Anatel, Sercomtel não vai desativar os orelhões ativos na região de Londrina
De acordo com a Companhia, são 551 aparelhos espalhados entre as áreas urbanas e rurais de Londrina e Tamarana
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou a retirada de mais de 30 mil carcaças de telefones públicos, os chamados orelhões, por todo o país. Em Londrina e Tamarana, são 551 aparelhos ainda ativos, tanto na área urbana quanto na rural, é o que afirma a Sercomtel, empresa responsável pelos serviços e manutenções dos telefones.
Segundo a Anatel, não há mais produção de cartões telefônicos e os postos de venda são raríssimos. A agência determina que, quando não houver cartão, os orelhões devem permitir ligações locais e nacionais para telefones fixos de graça.
Por outro lado, a Sercomtel informou que não vai acatar a decisão da Anatel e os 551 equipamentos continuarão em funcionamento. Porém, as retiradas dos aparelhos têm sido comuns na cidade. Em 2008, por exemplo, a região contava com 3.001 orelhões espalhados. Em oito anos, pouco mais de 80% foram desativados pela empresa de comunicação.
Com o avanço da tecnologia, cada vez mais brasileiros têm acesso a aparelhos celulares, o que acaba tornando a utilização do orelhão “dispensável”. Mas nem sempre foi assim. Existiu um momento na história da cidade em que o orelhão era fundamental, tanto no uso cotidiano quanto na urgência. É o caso da jornalista Vita Guimarães, que por muitas vezes viu no telefone público a solução para levar informação em tempo real para os ouvintes.
Com mais de 40 anos de experiência na comunicação, Vita fala da importância do orelhão durante a sua trajetória de repórter de rua e das facilidades que os aparelhos forneciam.
O primeiro telefone público londrinense foi instalado em 1973, um ano depois de o equipamento ter sido inaugurado na cidade do Rio de Janeiro. Londrina foi a primeira cidade do interior a receber o aparelho, que foi colocado estrategicamente em frente à agência dos Correios da região central e pintado de cor amarela para se destacar no meio da cidade.
No aniversário de 75 anos de Londrina, no dia 10 de dezembro de 2009, o município inaugurou as cabines telefônicas inglesas, uma homenagem à Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), empresa responsável por fundar e desenvolver o norte do Paraná. Na ocasião, estiveram presentes o embaixador britânico, Alan Charlton, e o cônsul-geral britânico em São Paulo, Paulo Martin Raven.
De 1972 até 1993, os orelhões utilizavam as famosas “fichas” para fazer ligações locais ou interurbanas. Elas iam caindo à medida que o tempo ia passando, o que produzia um barulho próprio. De 1994 em diante, o cartão telefônico entrou em cena com as unidades de crédito. O Brasil utilizava o cartão telefônico indutivo, que tinha dentro dele pequenos fusíveis que representavam os créditos. Ao colocar no orelhão, o aparelho gerava um campo magnético que “queimava” um fusível a cada uso.
Outra opção era a ligação a cobrar, em que o usuário poderia digitar os dígitos 9090 e quem recebesse a ligação, caso aceitasse, arcava com os custos. Esse formato ainda está disponível para chamadas de telefone fixo ou aparelho celular.
É possível encontrar onde estão localizados os orelhões de Londrina e do país todo que ainda estão em funcionamento por meio do site da Anatel.