QUINTA, 05/02/2026, 18:05

Filho de Popó e mais dois são indicados por tentativa de aliciamento para manipulação de partida do Londrina Esporte Clube

Abordagens foram feitas a três jogadores do Londrina em abril de 2025 ofertando valores para forçar cartão amarelo em campo

O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou criminalmente três pessoas investigadas a partir da Operação Derby, que investiga tentativas de manipulação de resultados esportivos envolvendo um jogo do Londrina Esporte Clube e de ao menos um outro clube do interior do estado de São Paulo.

A operação teve início em setembro de 2025 com mandados de busca e apreensão cumpridos em Salvador (BA) e em Itapema (SC), onde residiam dois investigados. A partir dessas investigações, dos materiais apreendidos e dos jogadores ouvidos, segundo o MP ficou comprovado que esses indiciados tentaram aliciar jogadores do Londrina Esporte Clube para sofrerem cartão amarelo na partida diante do Maringá no dia 26 de abril.

O jogo foi válido pela 3ª rodada do Brasileirão da Série C, e terminou empatado em 1 a 1 no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), em Londrina.

Segundo as investigações, para ao menos um dos jogadores foi oferecido o valor de R$ 15 mil para forçar cartão amarelo na partida.

No época da denúncia pelo MP, o executivo de futebol do Londrina, Lucas Magalhães, revelou que três jogadores do Tubarão foram procurados com tentativa de aliciamento antes da partida diante do Maringá, mas recusaram a oferta e realizaram denúncia ao clube.

O Londrina não revelou quais foram os três jogadores que receberam contato dos indiciados, mas afirmou que nenhum deles tomou cartão amarelo na partida diante do Maringá. O próprio clube foi quem reportou a situação à CBF, que remeteu o caso à delegacia de Polícia Federal em Londrina.

Segundo o promotor do Gaeco Leandro Antunes Meirelles Machado, a partir da denúncia e das provas colhidas, o MP chegou aos investigados, que eram apenas dois inicialmente, e passaram a ser três com o avanço das investigações.

Um deles seria Igor Freitas, que é filho do boxeador Arcelino Freitas, o Popó, e usava-se dessas credenciais para se apresentar aos jogadores por meio de mensagens em redes sociais inicialmente com propostas de parcerias para que depois outro investigado entrasse em contato oferecendo as propostas de manipulação.

Segundo o promotor, dois dos indicados foram ouvidos e optaram por permanecer em silêncio. Um deles foi Igor Freitas. Um terceiro indiciado pelo esquema não foi encontrado pelo MP para prestar depoimento.

Durante as investigações o Ministério Público apurou que a oferta de manipulação também foi feita na mesma época a um jogador do Mirassol, equipe paulista que em 2025 chegou pela primeira vez à Série A do Campeonato Brasileiro.

De acordo com o promotor Leandro Antunes, a oferta teria sido feita para uma partida da equipe também em abril de 2025, mas o Gaeco não detalhou qual foi o jogo em questão.

Os três investigados foram indiciados por crimes contra a incerteza do resultado esportivo estão descritos na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023) e têm penas que podem variar de dois a seis anos de reclusão, além de multa.

O Ministério Público determinou o pagamento de dano moral coletivo no valor sugerido de R$ 150 mil, como forma de reparação do prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.

A reportagem tentou contato com a defesa de Igor Freitas, por meio de ligação e mensagens, mas não obteve retorno até o fechamento do material.

Por Fernando Bianchi

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