QUINTA, 05/02/2026, 17:18

Vítima de esquema milionário em Londrina relata prejuízo de R$ 2,5 milhões e ameaças com armas

No desdobramento da Operação Fortuna Sombria, novos detalhes revelam como organização criminosa usava loja de perfumes como fachada para atrair vítimas e financiar vida de luxo com fraudes bancárias

A Polícia Civil segue com os desdobramentos da Operação Fortuna Sombria, iniciada na terça-feira (3), que investiga uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias de grande escala.

Nesta quinta-feira (5), uma vítima, que preferiu não se identificar e por isso teve a voz distorcida, relatou ter sofrido um prejuízo de pelo menos R$ 2,5 milhões. Segundo o depoimento, o golpe começou após uma abordagem em uma loja, onde foram feitas promessas de benefícios, viagens, habilitação e ganhos financeiros. Nada do que foi prometido se concretizou.

A vítima contou que foi levada a viajar para Curitiba e outras cidades para assinar documentos em bancos, onde, segundo ela, gerentes eram aliciados com presentes para facilitar a liberação de crédito. Com o tempo, começaram a surgir dívidas em seu nome, inclusive com restrições no Serasa, o que revelou o golpe.

Ao tentar cobrar o que havia sido prometido, a vítima afirma que foi ameaçada e expulsa do local, inclusive com intimidações feitas por homens armados. Ela também relatou ter sido levada a delegacias para registrar falsos boletins de ocorrência, usados para justificar movimentações bancárias irregulares.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade social, principalmente usuários de drogas, para abrir contas bancárias usadas na aplicação dos golpes contra instituições financeiras.

O delegado da Polícia Civil, Edgard Soriani, informou que o material apreendido confirma o uso dessas contas para a compra de bens de luxo, como uma lancha, registrada em nome de uma das vítimas. Parte do dinheiro usado na compra saiu de contas dessas pessoas, que alegam não ter se beneficiado dos valores.

A investigação aponta que o esquema era liderado por um casal, proprietário de uma loja de perfumes em Londrina, identificada como o principal ponto de captação das vítimas.

A Polícia Civil continua as diligências para identificar outros envolvidos e apurar possíveis ramificações do esquema em outros estados.

Por João Gabriel Rodrigues

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