SEGUNDA, 24/02/2020, 18:33

Sindicato dos professores faz denuncia ao Ministério Público sobre mudanças na Educação de Jovens e Adultos

Para representantes da categoria a falta de flexibilidade nos horários e de atendimentos individualizados impedem que muitos terminem os estudos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná – APP Sindicato fez uma denuncia ao Ministério Público contra as mudanças apresentadas, já em execução, pelo governo do estado nesse ano letivo na Educação de Jovens e Adultos – EJA.

De acordo com o representante do Sindicato em Londrina, Marcio André Ribeiro, as mudanças impedem a flexibilidade de atendimento individual dos alunos.

Segundo ele, os estudantes precisam cumprir horários semelhantes aos de ensino regular e isso tem impedido que pessoas que trabalham continuem exercendo o estudo. Além disso, alunos reclamam que não são todas as escolas que oferecem o sistema, antes as escolas do bairro ou bem próximas de suas residências tinham o sistema, agora está limitado.

Nossa reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação e do Esporte e recebemos uma nota oficial.

A nota completa está em nosso site.

Acompanhe o que diz alguns trechos destacados pela reportagem:

“A readequação da modalidade EJA, aprovada pelo Conselho Estadual de Educação, reorganiza a oferta de disciplinas para o cronograma semestral, o que significa que o estudante que for se matricular na EJA saberá exatamente quais são as disciplinas que serão ofertadas em cada semestre que ele precisará fazer para concluir o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio, conforme cada caso.

Outra mudança foi a unificação da matriz curricular. Isso significa que todas as instituições que ofertam EJA terão as mesmas disciplinas, ou seja, o estudante que precisar mudar de escola não terá prejuízos e poderá continuar seus estudos em qualquer lugar, sem o risco de não encontrar as disciplinas que estava cursando. Os alunos que já estavam matriculados, foram todos adequadamente inseridos na nova proposta, sem prejuízo do que já haviam cursado.

A readequação do cronograma e da matriz curricular não altera a carga horária dos cursos, que será mantida a mesma, mas vem como solução para o cenário constatado pela Secretaria: os alunos da EJA levavam, em média, cinco anos para concluir cada etapa (Ensino Fundamental e Ensino Médio). O período prolongado resultava em grande incidência de abandono. Isso ocorria porque, em muitos casos, o estudante começava cursando, por exemplo, disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. No semestre seguinte, ele precisaria, por exemplo, cursar História e Geografia. Mas como a matriz não era unificada, cada escola definia quais disciplinas ofertar por semestre. Dessa forma, o estudante não conseguia se matricular em História e Geografia no semestre seguinte porque não havia oferta na instituição desejada. Dessa forma, acabava ficando um semestre sem estudar.

A EJA é ofertada em dois tipos de instituição: os CEEBJA (Centro de Educação Básica para Jovens e Adultos) e escolas estaduais que, além do ensino regular, também têm turmas de EJA. O número de instituições que ofertam EJA se manteve. A lista de instituições que oferecem EJA pode ser acessada aqui no www.educacao.pr.gov.br.

O atendimento individualizado/flexibilizado continua sendo garantido aos alunos que necessitam. A única diferença é que esse atendimento acontece em turmas regulares. Até o ano passado, esses alunos eram matriculados separadamente, porém os índices de abandono eram altos. Agora, esses estudantes continuarão recebendo atendimento flexibilizado – de acordo com sua disponibilidade de horários –, mas matriculados em turmas regulares.”

Por Bruno Carraro

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